
Essa expressão, usada por Umberto Eco para batizar sua obra mais famosa, “O Nome da Rosa”, é uma metáfora medieval que simbolizo o enorme poder das palavras. Uma rosa continua uma rosa, mesmo depois de seca, despetalada e morta, em razão da simbologia que a palavra “rosa” nos traz à mente.
É a partir dessa metáfora, que o colunista Helcio Costa, em seu quadro CBN Política Regional, apresentado nessa quinta-feira (9), faz uma reflexão sobre escolhas e decisões tomadas por parlamentares na nossa região. Confira!
Palavras e nomes são importantes …
Digo isso porque escrevi, dias atrás, um artigo sobre o nome que se planeja dar ao Hospital Regional de Cruzeiro, ainda em obras. Ligeira, a deputada Letícia Aguiar (PP) levou ao secretário de Saúde do Estado, Eleuses Paiva (PSD), a ideia de batizar o HR de “Monsenhor Jonas Abib”, em referência ao criador da Canção Nova, morto no final do ano passado.

Boa ideia? Olha, de boas intenções o inferno está cheio, diz o ditado. Em que pese a importância do padre Jonas e sua obra monumental, conhecida no país e fora dele, a cidade onde está o HR já tem um nome predileto, ligado a décadas de trabalho em prol da saúde de Cruzeiro e do Vale Histórico: João Bastos Soares, prefeito duas vezes, deputado estadual e federal, secretário de Trabalho e secretário de Indústria e Comércio do Estado.
Nome, aliás, que tem o apoio da Câmara. E agora, qual o nome ideal? Em que pese meu respeito pelo padre Jonas, a quem conheci e admiro, acredito que ruas, pontes, escolas e outros próprios públicos devem sempre representar a história da comunidade onde eles estão inseridos.
Penso nisso quando lembro que o viaduto da Via Cambuí, uma das maiores obras de engenharia de São José dos Campos dos últimos anos, se chama “Romeu Tuma”. Ideia do vereador Juvenil Silvério –que lembrou de Tuma como senador, mas esqueceu ou ignorou de Tuma como chefe do DOPS de São Paulo –um dos principais braços da repressão durante a Ditadura Militar. Que papelão, Juvenil.
Só falta encontrar uma praça ou viela para batizar com o nome de Carlos Alberto Brilhante Ulstra, outro “herói” da Ditadura. Melhor fez quem batizou o Arco da Inovação de Juana Blanco, arquiteta ligada à história do planejamento urbano na cidade. A meu ver, a regra deve ser essa: valorizar quem faz parte da história do lugar. Por sua obra, padre Jonas será lembrado e homenageado aqui, ali e acolá, dentro e fora do Brasil. João Bastos ou qualquer outra pessoa ligada à saúde do Vale Histórico tem essa chance e olhe lá.
Nomes são importantes, ajudam a contar a nossa história e a dizer quem somos. Esse é o segredo da expressão de Umberto Eco. Qual o nome da Rosa?
