CBN Política Regional: No beco escuro explode a violência

Rua estreita, à noite, mal iluminada, como se fosse em bairro periférico de baixo potencial aquisitivo
(Foto: Freepik)                                                          beco escuro

Dias atrás, no show do “Paralamas” na Arena de Esportes, ouvi uma música que não escutava há tempos e que gosto muito, “Calibre”. Os versos iniciais são fortes: “Eu vivo sem saber até quando estou vivo, sem saber o calibre do perigo, eu não sei de onde vem o tiro“. Na voz de Herbert Vianna, claro, fica bem melhor.

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Lembrei desse verso ao ler sobre a violência na Baixada Santista, que já soma 16 mortos (até a última quinta-feira, 28/07). As mortes foram registradas após o início da Operação Escudo, desencadeada após o assassinato de um soldado da ROTA. É a segunda mais letal da história da Polícia Militar de São Paulo.

Na rota da violência, a polêmica. Tão logo as mortes em escala tiveram início, o governador Tarcísio de Freitas defendeu a ação da PM, fazendo coro ao seu secretrário de Segurança Pública, Guilherme Derrite. Foi o que bastou para Tarcísio ser comparado a Paulo Maluf e outros governadores que seguiam a linha do “bandido bom é bandido morto” e prometiam a ROTA na rua como solução para todos os problemas de segurança de São Paulo.

Todos os mortos da Baixada eram “bandidos”? Para o Estado, sim. Para as famílias e testemunhas, não. Quem tem razão? Todos? Ninguém? O que preocupa, é a aplicação indiscriminada da pecha de “bandido” a toda pessoa morta em confronto com a PM. Muitas são. Todas serão? Outro ponto vale a pena ser debatido: é imperativo aplicar a “Lei do Talião” (olho por olho, dente por dente) a cada agente de segurança morto ou ferido no Estado?

Tudo isso, junto e misturado, mostra que a violência ainda é um desafio que sucessivos governos têm dificuldade de enfrentar no Estado. E não é só na Baixada Santista. Aqui, onde a gente está, na Região Metropolitana do Vale do Paraíba, é considerada a área mais violenta do Estado, com 6 ou 7 cidades entre as 10 mais violentas do interior. Mesmo em cidades onde os números são baixos, como em Taubaté, por exemplo, que ficou 60 dias sem registrar homicídios, a violência mostra a sua cara: depois da “trégua”, foram 3 mortes violentas em menos de 48 horas.

A “Lei do Talião” resolve tudo ou só aplaca a ira de alguns? Respeito e muito o trabalho da PM e das forças de segurança. Mas elas devem agir sempre dentro da lei e dos limites impostos pela sociedade.

Se no beco escuro explode a violência, como canta Herbert Vianna, é dever do Estado levar luz a esse ambiente e pacificar a sociedade. Não o contrário …

CBN Política Regional de 03 de Agosto de 2023

Ouça o podcast completo com Hélcio Costa: beco escuro