CBN Política Regional: Ano novo, vida nova? O que se plantou no ano anterior vai mostrar as caras em 2022

CBN Política Regional: Ano novo, vida nova?
(Foto: CBN VALE)

Nesta quinta-feira (13), o comentarista do quadro CBN Política Regional, Hélcio Costa, falou em entrevista ao programa CBN Vale 1ª Edição sobre como deverá ser o ano político em 2022. Afinal, aquele velho ditado “Ano novo, vida nova”, vale na política?

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Tem um ditado que diz: ano novo, vida nova. Como diz o meu avô, é assim, mas não é muito bem assim. Todo ano novo traz renovação, mas o que se plantou no ano anterior vai mostrar as caras, com certeza.

Na política não é diferente …

Este ano tem eleições de presidente a governador, de senador a deputado. Para os políticos da região, o foco está na briga por uma vaga na Câmara Federal ou na Assembleia Legislativa. Nessa disputa, o que se plantou nos últimos anos faz diferença. Em São José dos Campos, o rumo da eleição vai ser marcado, em boa parte, pela definição do prefeito Felício Ramuth de deixar ou não o PSDB.

Ele já esteve mais perto disso, mas o namoro do ex-governador Geraldo Alckmin com Lula esfriou tudo. Conversei outro dia com Felício, rapidamente, e ele faz aquele charme. “Nem eu sei”, disse ele. “Duvi-de-o-dó”, como falava minha mãe. Fora ele, o destino de outros candidatos (e bons candidatos, entre eles deputados com mandato) vai depender do humor do eleitor. E acho que vem surpresas por aí.

Em Taubaté, não falta candidato. O prefeito José Saud está congestionando o meio-campo, truque, aliás, usado em 2018 por Ortiz Junior para pulverizar votos e minar a oposição.

Saud tenta usar o feitiço contra o feiticeiro. Nomes não faltam: na oposição, como o próprio Ortiz, Loreny Caetano e Salvador Khuriyeh, por exemplo; na situação, como Afonso Lobato, Douglas Carbone e Gabriel Pinelli.

Em Jacareí, o desafio é voltar a ter deputado, coisa que a cidade já teve e deputados bons, como Luiz Máximo. O mesmo vale para o Litoral Norte, Pinda, Guará e o Vale Histórico. A regra é clara: cidade grande tem que ter deputado.

Ano novo, vida nova?

Sempre é bom olhar para o futuro, mas, este ano talvez a gente deva olhar um pouco para o passado. Na eleição de 1982, há exatos 40 anos, a região elegeu sua maior e mais expressiva bancada de deputados. Muita coisa boa veio dessa eleição. O que deu certo lá atrás? Fica a dica, vale a pena pensar sobre isso …

Nota zero para a organização da Copa São Paulo nesta primeira rodada em São José dos Campos …

Os portões do estádio Martins Pereira foram fechados no início do primeiro jogo da rodada dupla (São José e River-PI), deixando mais de 5.000 pessoas para fora, na fila. No estádio, estavam cerca de 3.800. A capacidade do Martins Pereira beira os 15 mil lugares, 10 mil se for mantida alguma margem de segurança sanitária.

O primeiro jogo acabou e os portões não foram abertos. As equipes do Corinthians e do Resende entraram em campo, e os portões continuaram fechados. Não havia ninguém da organização para dar informação ou prestar esclarecimentos. A única pessoa que tentou organizar a multidão, que se aglomerava na rampa de acesso aos portões, foi um torcedor, que subiu na grade e tentou falar, sem sucesso, com aquele ‘mundaréu’ de gente.

Chovia aos cântaros. A Gaviões da Fiel começou a cantar: “respeitem a torcida do Timão”. Nada dos portões abrirem. Mulheres e crianças foram levadas para um portão lateral, que permaneceu fechado. Resultado: a torcida derrubou os portões, invadiu o estádio, a PM reagiu com cassetetes e bombas de gás.

Houve corre-corre, empurra-empurra e, por pouco, não ocorre uma tragédia. No final de tudo, a torcida entrou no estádio em massa, mandando às favas qualquer protocolo sanitário contra a covid-19, enquanto muitos voluntários da prefeitura saiam pelo portão dos fundos, com medo de um novo tumulto. O gás das bombas chegou ao gramado e o jogo teve que se interrompido por 10 minutos, logo aos 2 do primeiro tempo.

No fim de tudo, o Corinthians venceu, 2 a 1, com um gol nos acréscimos, para alegria da torcida, que lotou o estádio. Mas, precisava tudo isso?

É importante debater isso por um motivo simples: o Corinthians vai fazer pelo menos mais dois jogos no Martins Pereira. O que vai ser mudado para evitar um novo tumulto?

Culpar a torcida é fácil, mas não resolve. A organização da Copa São Paulo precisa saber que, sim, o torcedor corinthiano vai ao estádio. É assim toda vez, em todo o país. De São José dos Campos, de Taubaté, de Jacareí, Caraguá, da Grande São Paulo, seja de onde for, o corinthiano quer ver o Corinthians, não importa o torneio.

Aliás, a Copinha é uma paixão da Fiel. A organização não sabia disso? Não se preparou para isso? Mais: jogo da Copinha é de graça. Ver o Timão, nas férias e não pagar nada? É mamão com açúcar. Então, vamos aprender para evitar problemas: torcida organizada tem que entrar por um portão especial e ocupar logo seu lugar na arquibancada; não dá para deixar uma multidão para fora do estádio e, pior, sem qualquer orientação; não se fecha portão com lugar ainda vago para abrigar a torcida (as imagens mostram, no primeiro jogo, boa parte das arquibancadas vazias).

Segue o baile …

PS: As cenas que narrei acima não vieram da minha imaginação. Eu fui ao Martins Pereira como torcedor, junto com dois filhos meus, para assistir ao jogo. Nós estávamos a 10 metros dos portões quando começou o tumulto. Debaixo de chuva.

E não havia ninguém para orientar a torcida. Futebol é um espetáculo que, sem torcida, não existe, não tem o menor sentido. Volto a falar: culpar a torcida é fácil. Mas eu estava lá e vi. Por isso, digo e repito: nota zero para a organização do evento. Algo precisa mudar …

Ouça o podcast completo com Hélcio Costa: