CBN Mercado de Trabalho: Resiliência, sofrência e demais “ências”

Karla Clarinda sendo entrevistada por Fernando Carlos, da CBN. A colunista de mercado de trabalho tratou do tema, resiliência
(Foto: CBN VALE/Resiliência)

Nesta segunda-feira (1º), a comentarista do quadro CBN Mercado de Trabalho, Karla Clarinda, falou no programa CBN Vale 1ª Edição, sobre resiliência no ambiente de trabalho e também sobre o quanto as empresas exigem de seus funcionários.

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Já reparou como o sofrimento e a abnegação são supervalorizados dentro do ambiente corporativo? Expressões como “nossa, ela se mata de trabalhar” e “ele já está acostumado” ainda são comuns dentro das empresas. Na verdade, essas frases passam batidas na correria do dia a dia corporativo.

Você já ouviu aquela frase “na prática, a teoria é outra”? Então, muitas empresas a seguem como premissa. Tem outra, também: “faça o que eu digo, não faça o que eu faço”. Já deu para entender onde eu quero chegar, né? Da porta para fora, muitas companhias se gabam de serem humanizadas e sustentáveis, mas, da porta para dentro, os empregados são submetidos a um ambiente carregado de pressão e frieza.

Vamos lá, é melhor eu fazer um adendo. Eu sei que a pressão faz parte do negócio e que o “mundo corporativo” é local de trabalho árduo e, sim, de pressão, isso é inerente ao jogo. Acontece que, muitas vezes, a intensidade de trabalho e a pressão passam do ponto e, quando isso acontece, quem sofre é o colaborador.

Estou me referindo ao stress que não chega a afastar o trabalhador, mas o afeta e o deixa cabisbaixo. Sabe quando a pessoa tem aquele sorriso triste? Quando você sente que a pessoa está com 60% de sua capacidade de trabalho, e que as demandas levaram embora os outros 40%? O indivíduo está lá, mas você não consegue enxergá-lo.

Escrevendo isso agora, me dei conta que este assunto que a qual estou versando, é pouco difundido e, até um tabu. Parece que, para a pessoa mostrar que está mal, ela tem que estar de cama em casa ou no hospital. Às vezes ela está mal, mas ainda consegue ficar de pé, mesmo que a duras penas.

Eis um tema a ser refletido. As empresas alcançam suas metas, são bem-sucedidas, chegam ao topo, mas, a que preço? Será que não há empregados soterrados nesta construção? Será?

Ouça o podcast completo com Karla Clarinda: