CBN Economia: reservatórios de água baixos e preços de combustíveis fósseis elevados, podem elevar inflação em 2022

reservatórios de água baixos e preços de combustíveis elevados, podem elevar inflação em 2022
(Foto: Reprodução)

O comentarista do quadro CBN Economia, José Joaquim do Nascimento, falou nessa quarta-feira (30) sobre importantes aspectos que podem elevar o nível de inflação em 2022. Confira.                                       reservatórios

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Os baixos níveis de águas nos reservatórios da principal região produtora do País (Sudeste) e os custos mais elevados dos combustíveis fósseis no mercado internacional são potencializados de altas da inflação no País. Estes fatores respondem pela alta na conta de energia e, a consequência é a inflação dos custos de produção para as empresas de todos os setores da economia e uma maior restrição ao consumo por parte das famílias.

A energia consumida pelas famílias e empresas que vem das usinas hidrelétricas e das usinas termelétricas, dá sinais de que ficará mais cara este ano. O motivo básico está na elevação dos custos de produção das usinas termelétricas por usarem combustíveis fósseis, como petróleo, carvão, madeira, GNL (Gás Natural Liquefeito), entre outras matérias, que tem seus preços determinados no mercado internacional e estão subindo de forma consistente.

Se, por um lado, os baixos níveis de chuvas na cabeceiras dos reservatórios indicam volumes menores (45% este ano, contra 52% o ano passado) prejudicam a elevação da produção de energia, por outro lado, o uso dos combustíveis fósseis estão se valorizando muito no mercado internacional (o GNL dobrou de preços este ano). Ambos os fatores prejudicam a geração de energia a custos menores.

O mais preocupante é o efeito do conflito bélico na Europa que está influenciando os preços das commodities que são usadas pelas termelétricas, que devem ser acionadas para suprir a demanda de energia que as hidrelétricas não conseguem atender. Podemos dizer que já é possível considerarmos problemas à vista para as contas de energia este ano e, consequentemente, para uma resistência à queda da inflação.

O Brasil depende de energia das térmicas e esta depende de commodities internacionais que importamos, como o GNL. Os custos maiores dos materiais fósseis é um dos indicadores de que os custos da produção de bens e serviços no geral tendem a subir, inevitavelmente, devido os custos maiores da energia consumida nos processos. A geração de energia tende a ser mais cara e vai pesar mais no bolso dos consumidores e nos níveis de custos de produção das empresas.

Os efeitos danosos podem está na manutenção e na memória inflacionária dos produtos da cesta básica que dependem de energia para serem produzidos. Alternativas parecem estar na geração de energia limpa como a solar, mas o investimento é alto e a geração desta ainda não recebe a atenção devida dos governos, que precisam trabalhar no sentido de melhor balancear as fontes de geração de energia que tanto o Brasil precisa.

Ouça o podcast completo com José Joaquim do Nascimento: