CBN Economia: preço do café da manhã das famílias brasileiras mais do que dobra de 2019 a 2022

café da manhã preços
(Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

Nesta quarta-feira (13), o colunista do quadro CBN Economia, José Joaquim Nascimento, falou no programa CBN Vale 1ª Edição, sobre o preço do café da manhã dos brasileiros.

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As famílias mais pobres estão há dois anos enfrentando situações inesperadas. Em 2020, foi a relativa falta de produtos nas prateleiras em virtude da pandemia da Covid-19 e agora, em 2022, é a falta de produtos na mesa para o café da manhã, como: leite, café, pão francês e margarina. O motivo atual é inflação destes produtos.

A partir de dados da Pesquisa Mensal do NUPES (Núcleo de Pesquisa Econômico-Social), que monitora os preços das quatro maiores cidades do Vale do Paraíba (São José dos Campos, Caçapava, Taubaté e Campos do Jordão), foi constatado que as altas dos preços dos produtos que compõem o café da manhã básico das famílias mais pobres na região do Vale do Paraíba tiveram altas de até 119,81%, como é o caso do café, e de 111,11%, no caso do leite de caixinha.

A tabela abaixo, mostra um comparativo dos preços dos quatro produtos mais presentes no café da manhã da maioria das famílias, de junho de 2019 para junho de 2022, destacando o aumento em valor e o percentual de variação do preço no período.

Aumento dos preços dos itens do café da manhã

  Produtos jun/19 jun/22 Diferença 19/22 Variação 19/22
1 Leite Caixa 2,97 6,27                    3,30 111,11%
 2 Café 8,58 18,86                  10,28 119,81%
3 Pão Francês 0,52 0,67                    0,15 28,85%
4 Margarina 4,83 8,67                    3,84 79,50%

Fonte:  NUPES – UNITAU 2022

Os motivadores para altas dos preços do lanche matinal vão desde questões de natureza climática e baixos níveis de chuvas até comportamento dos preços das commodities no mercado internacional, como o milho, café, soja e trigo.

Se em 2020 a pandemia da Covid-19 criou restrições de acesso à alimentos básicos para as famílias, em 2022 a inflação é a grande vilã das restrições alimentares. Juntos, estes dois fenômenos estão ampliando o mapa da Fome no Brasil e, certamente, comprometendo o futuro de uma parcela muito expressiva da nossa população.

É certo que com o leite, café, pão e a manteiga dobrando de preços, menos famílias poderão colocar à mesa, o primeiro alimento do dia e, assim estão engrossando o número de pessoas que estão passando fome no Brasil, que é o segundo maior exportador de alimentos do mundo.

Se em 2019 as condições das famílias para colocarem o café da manhã à mesa já estava difícil, em 2020 e 2021 piorou com a pandemia e, em 2022 “azedou” mais ainda, porque agora é a inflação que, praticamente, sepultou o acesso de muitas famílias a tais produtos na sua primeira refeição do dia.

Ouça o podcast completo com José Joaquim do Nascimento: