
Nesta quarta-feira (13), o colunista do quadro CBN Economia, José Joaquim Nascimento, falou no programa CBN Vale 1ª Edição, sobre o preço do café da manhã dos brasileiros.
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As famílias mais pobres estão há dois anos enfrentando situações inesperadas. Em 2020, foi a relativa falta de produtos nas prateleiras em virtude da pandemia da Covid-19 e agora, em 2022, é a falta de produtos na mesa para o café da manhã, como: leite, café, pão francês e margarina. O motivo atual é inflação destes produtos.
A partir de dados da Pesquisa Mensal do NUPES (Núcleo de Pesquisa Econômico-Social), que monitora os preços das quatro maiores cidades do Vale do Paraíba (São José dos Campos, Caçapava, Taubaté e Campos do Jordão), foi constatado que as altas dos preços dos produtos que compõem o café da manhã básico das famílias mais pobres na região do Vale do Paraíba tiveram altas de até 119,81%, como é o caso do café, e de 111,11%, no caso do leite de caixinha.
A tabela abaixo, mostra um comparativo dos preços dos quatro produtos mais presentes no café da manhã da maioria das famílias, de junho de 2019 para junho de 2022, destacando o aumento em valor e o percentual de variação do preço no período.
Aumento dos preços dos itens do café da manhã
| Produtos | jun/19 | jun/22 | Diferença 19/22 | Variação 19/22 | |
| 1 | Leite Caixa | 2,97 | 6,27 | 3,30 | 111,11% |
| 2 | Café | 8,58 | 18,86 | 10,28 | 119,81% |
| 3 | Pão Francês | 0,52 | 0,67 | 0,15 | 28,85% |
| 4 | Margarina | 4,83 | 8,67 | 3,84 | 79,50% |
Fonte: NUPES – UNITAU 2022
Os motivadores para altas dos preços do lanche matinal vão desde questões de natureza climática e baixos níveis de chuvas até comportamento dos preços das commodities no mercado internacional, como o milho, café, soja e trigo.
Se em 2020 a pandemia da Covid-19 criou restrições de acesso à alimentos básicos para as famílias, em 2022 a inflação é a grande vilã das restrições alimentares. Juntos, estes dois fenômenos estão ampliando o mapa da Fome no Brasil e, certamente, comprometendo o futuro de uma parcela muito expressiva da nossa população.
É certo que com o leite, café, pão e a manteiga dobrando de preços, menos famílias poderão colocar à mesa, o primeiro alimento do dia e, assim estão engrossando o número de pessoas que estão passando fome no Brasil, que é o segundo maior exportador de alimentos do mundo.
Se em 2019 as condições das famílias para colocarem o café da manhã à mesa já estava difícil, em 2020 e 2021 piorou com a pandemia e, em 2022 “azedou” mais ainda, porque agora é a inflação que, praticamente, sepultou o acesso de muitas famílias a tais produtos na sua primeira refeição do dia.
