
Nesta quarta-feira (9), no programa CBN Vale 1ª Edição, o comentarista do quadro CBN Economia, José Joaquim Nascimento, falou sobre a taxa de juros que é algo maior do que o preço do dinheiro no tempo e sua alteração precisa ser vista como a questão fundamental das economias.
• Leia mais notícias da região clicando aqui
A taxa de juros é o preço do dinheiro no tempo, ou ainda, um “aluguel” que as pessoas físicas e jurídicas pagam por usar o dinheiro de alguém por um período de tempo. O menor preço hoje é 10,75% ao ano e o maior, certamente, 349,6% ao ano, sendo a taxa Selic e a taxa juros do Cartão de Crédito Rotativo, respectivamente.
O dinheiro (a moeda) é o produto mais extraordinário das economias e o único que se multiplica à medida que circula entre as pessoas. Condição criada artificialmente por uma inteligência financeira que poucas pessoas conseguem abstrair. A taxa de juros é o preço deste produto especial que justifica a quase totalidade das ações econômicas das pessoas.
Quando as taxas de juros sobem, o dinheiro fica mais caro, e quando isto acontece os produtos ficam mais caro e, as pessoas compram menos e produzem menos dentro de um ambiente em que vivem e, por fim, elas ficam mais pobres. É por este motivo, entre outros, que precisamos ter um “olhar especial” para o aumento das taxas de juros. Isto porque a variação das taxas de juros afeta as condições, não somente econômicas, mas também psicológica, entre outros aspectos da sociedade como um todo.
O dinheiro mais caro funciona como uma barreira de contenção ao consumo e a produção e, consequentemente, ao aumento do emprego e da massa de renda que pode ser gerada com as atividades de consumo e produção.
Somente por termos uma taxa básica (10,75%) e uma taxa que chega até 349,6% ao ano, já é possível considerar que a disparidade do valor do dinheiro para pessoas é enorme. É uma discrepância assustadora. E a questão básica que poderíamos pensar é: Por que tal disparidade e por que não há um teto de preço para este produto tão especial se tal preço aparece como um problema fundamental das economias?
Os países têm uma instituição poderosa pra controlar o dinheiro e seu preço. Hoje os governos são guiados pelo mercado para determinar as quantidades e os níveis de preços. E, tais níveis acompanham uma inteligência do mercado, ou a racionalidade de alguém abstrato, que por vezes parecem contraditórias.
Aumentam-se os juros para estabilizar a economia que se traduz em menor consumo e menor investimento. Que por sua vez leva a um menor bem estar geral. Uma medida que tem efeitos colaterais perversos que ainda não compreendemos, deve continuar sendo usado como um remédio para estabilizar as atividades de consumo e investimentos?
A taxa de juros é algo maior do que o preço do dinheiro no tempo e sua alteração precisa ser vista como a questão fundamental das atividades das pessoas. Ela não deveria seguir uma racionalidade de algo tão abstrato que é o mercado.
