
Nesta quarta-feira (16), no programa CBN Vale 1ª Edição, o comentarista do quadro CBN Economia, José Joaquim Nascimento, falou sobre a relação entre o crescimento econômico e taxa de desemprego.
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Já sabemos que os desafios do próximo governo com a questão do desemprego serão imensos. As previsões deste ano de 2022 indicam crescimento pífio – há estimativas otimistas de que a taxa ficará 0,8% até 1,9% e pessimistas, em torno 05% (o mercado).
Já sabemos também que o baixo crescimento econômico afeta a expansão do emprego e, por sua vez, pode agravar, ainda mais, as desigualdades sociais, elevando a taxa de miseráveis no Brasil que já é de 13% da população, ou seja, 27,4 milhões de pessoas, segundo estudos da FGV (Fundação Getúlio Vargas).
Em um breve comparativo, na tabela abaixo, de dois momentos recentes da economia: (2010-2014) e (2016-2020) é possível tirar algumas leituras da relação entre o nível de crescimento econômico e a taxa de desemprego. Tal relação pode revelar o que poderemos ter nos próximos anos.
Taxa de Crescimento do PIB em % e Taxa de Desemprego em % (período: 2010-2014 e 2016-2020)
| ANO | Crescimento do PIB em % | Taxa de Desemprego em % |
| 2010 | 7,50% | 6,70% |
| 2011 | 2,70% | 6,00% |
| 2012 | 0,90% | 6,90% |
| 2013 | 2,30% | 7,10% |
| 2014 | 0,10% | 4,80% |
| ANO | Crescimento do PIB em % | Taxa de Desemprego em % |
| 2016 | (-3,6%) | 11,90% |
| 2017 | 1,30% | 12,70% |
| 2018 | 1,80% | 12,30% |
| 2019 | 1,20% | 11,90% |
| 2020 | -4,10% | 13,20% |
Fonte: IBGE
No período de 2010 a 2014 o Brasil foi de uma taxa de crescimento de 7,50% a.a para 0,10% a.a. Mesmo com o crescimento em queda no período o emprego aumentou e o desemprego fechou em um dos menores níveis da nossa história recente, no patamar que chamamos de pleno emprego (+4,8%).
No período de 2016 a 2019 o Brasil saiu de uma recessão de – 3,6% para + 1,2%. Houve crescimento nos três anos seguintes (2017, 2018 e 2019), mas a taxa de desemprego continuou alta, evidenciando pouco impacto do crescimento econômico sobre o emrpego. Era 11,90% em 2016 e, evoluiu nos anos seguintes, mesmo com o crescimento econômico, e encerrou 2019 igual 11,90%. Houve crescimento do PIB de 4,3%, de forma linear, mas não gerou expansão similar para o emprego.
Se a relação vier a se manter, os próximos anos pós 2022 não oferecem tanta esperança para quem está na fila do desemprego e, ainda, pode elevar ainda mais o número de miseráveis do Brasil.