CBN Economia: A instabilidade econômica e política nacional contribuem para elevar o “Risco Brasil”

risco brasil
(Foto: Reprodução)

Nesta quarta-feira (29), o colunista do quadro CBN Economia, José Joaquim Nascimento, falou no programa CBN Vale 1ª Edição, sobre o “Risco Brasil”.

• Leia mais notícias da região clicando aqui

Desde o início da pandemia o risco-país Brasil vem subindo e, assim, piorando as expectativas de retomada segura de crescimento do País. Somente neste ano, o índice já subiu 87 pontos e atingiu os 290 pontos.

O risco é medido em pontos base e, basicamente, significa o diferencial de juros dos títulos brasileiros em relação aos títulos norte-americanos de mesmo prazo.

Isto quer dizer que, atualmente, o Brasil paga 2,90% a mais de juros nos títulos brasileiros negociados no mercado americano, comparativamente aos títulos norte-americano para o mesmo período. Como 1% representa 100 pontos base, basta multiplicar 2,90% por 100 e chegaremos aos 290 pontos base.

O risco país tem base nas variáveis já conhecidas aqui no Brasil, como: instabilidade política, déficit fiscal, crescimento econômico e a relação dívida/PIB. Todas estas variáveis estão muito ruins, o que sugere que o risco-país deve continuar subindo.

Assim, é fácil perceber que subindo o risco-país, os juros ficam mais alto e o crédito mais caro. Os investidores internacionais passam a cobrar spreads mais elevados, ou seja, condições mais vantajosas para investir aqui no Brasil.

Isto quer dizer que se a segurança é pequena a rentabilidade deve ser mais elevada. O Brasil não está oferecendo segurança aos investidores, daí terem de oferecer maior rentabilidade.

Risco Brasil

A consequência direta para nós brasileiros é que os juros não devem baixar e o crédito não deve ficar mais fácil ou abundante para empresas e consumidores. Outro fator deve ser a instabilidade da taxa de câmbio que deve prejudicar as condições do comércio exterior (exportação e importação).

Com o risco-país subindo, a alta da taxa de juros não deve ser descartada nas próximas reuniões do Copom, o que é mais golpe na capacidade de investimento das empresas.

Ouça o podcast com José Joaquim do Nascimento: