
O casal responsável pelo brechó de luxo online Desapego Legal foi colocado em liberdade após a concessão de um habeas corpus. A informação foi confirmada nesta terça-feira (3) pela Secretaria da Segurança Pública (SSP) de São Paulo.
O casal estava preso desde o dia 29 de janeiro na cadeia pública de Caçapava, após ser detido em São José dos Campos. A soltura foi determinada nesta segunda-feira (2), por meio de alvará expedido pela Justiça. Eles são investigados por não repassar valores a fornecedores e clientes, com dívida estimada em cerca de R$ 20 milhões.
De acordo com a SSP, não há informações sobre o horário exato em que os empresários deixaram a unidade prisional. A decisão foi assinada pelo desembargador Sebastião Ribeiro Martins, do Tribunal de Justiça do Piauí.
Segundo o magistrado, a prisão temporária deixou de ser necessária, já que as principais medidas da investigação haviam sido cumpridas, como buscas e apreensões de celulares, computadores e documentos, além do bloqueio de valores.
Na avaliação do desembargador, não ficou demonstrada, neste momento do processo, a necessidade da manutenção da prisão para o avanço das apurações.
A ordem de soltura também beneficiou uma funcionária da empresa, madrasta de uma das investigadas, que atuava junto ao casal.
Prisão e investigação
Os empresários foram presos no bairro Urbanova, área nobre de São José dos Campos, durante operação policial que também resultou na apreensão de um veículo. No dia seguinte, passaram por audiência de custódia, e a Justiça manteve a prisão ao não identificar irregularidades no cumprimento dos mandados.
Fundado em 2018, o brechó Desapego Legal chegou a registrar faturamento milionário por vários anos. A crise teve início quando clientes de diversos estados começaram a denunciar a interrupção dos repasses pelas vendas das peças.
As denúncias levaram à abertura de investigação policial, ao pedido de recuperação judicial da empresa — com passivo estimado em R$ 20 milhões — e, posteriormente, à prisão dos proprietários em janeiro de 2026.
O caso acumula quase 100 ações judiciais e boletins de ocorrência em diferentes estados. Em 2025, ganhou repercussão nacional após reportagem exibida no programa Fantástico, quando o prejuízo estimado era de cerca de R$ 5 milhões. Em julho daquele ano, a Justiça aceitou o pedido de recuperação judicial, envolvendo aproximadamente 900 credores.