
A corrida pela Presidência da República começou oficialmente neste domingo (16), primeiro dia em que os candidatos podem pedir votos de forma explícita. Lula e Flávio Bolsonaro escolheram locais simbólicos para abrir a campanha, enquanto outros presidenciáveis iniciaram a disputa em seus principais redutos eleitorais.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) realizou o primeiro ato da campanha pela reeleição no Estádio Municipal 1º de Maio, em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista. O local está ligado à trajetória sindical do presidente e às greves dos metalúrgicos que ajudaram a projetá-lo nacionalmente no fim dos anos 1970.

Com o slogan “Lula: onde tudo começou”, o evento reuniu aliados e teve a presença do vice-presidente Geraldo Alckmin. A estratégia petista é associar a trajetória política de Lula à defesa das ações realizadas pelo atual governo.
No Rio de Janeiro, o senador Flávio Bolsonaro (PL) escolheu a Praia de Copacabana para abrir oficialmente a campanha. O local foi palco de grandes manifestações de apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro nos últimos anos.
A escolha reforça a ligação do candidato com o eleitorado bolsonarista. Flávio participou de um ato com apoiadores e lideranças do PL, em uma tentativa de demonstrar capacidade de mobilização desde o primeiro dia da disputa.

A largada ocorre em um cenário de forte polarização. Pesquisa Quaest divulgada na sexta-feira (14) mostrou Lula com 38% das intenções de voto no primeiro turno, contra 31% de Flávio Bolsonaro. Ronaldo Caiado e Renan Santos aparecem com 4% cada, enquanto Romeu Zema tem 2%.
Em uma eventual segunda rodada entre Lula e Flávio, o levantamento aponta 43% para o presidente e 40% para o senador. A diferença está dentro da margem de erro de dois pontos percentuais, configurando empate técnico.

Agenda dos principais candidatos
Ronaldo Caiado (PSD) começou a campanha em Goiás, seu principal reduto político. O ex-governador percorreu municípios do Entorno do Distrito Federal em uma série de carreatas, ao lado do governador Daniel Vilela.
O roteiro passou por Águas Lindas de Goiás, Santo Antônio do Descoberto, Novo Gama, Valparaíso de Goiás e Cidade Ocidental, com encerramento previsto em Luziânia. A estratégia é apresentar resultados de sua gestão em Goiás como uma espécie de vitrine para a candidatura nacional.

Romeu Zema (Novo) escolheu Montes Claros, no Norte de Minas Gerais, para iniciar a campanha. A agenda inclui um ato relacionado ao Contorno Viário da cidade.
A escolha mantém o candidato em Minas Gerais, estado onde construiu sua trajetória política, mas também o aproxima de uma região considerada estratégica para ampliar sua presença eleitoral.
Renan Santos (Missão) iniciou a campanha no Largo São Francisco, no centro de São Paulo, em frente à Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP). O candidato chegou a estudar Direito no local e terá a participação do deputado federal Kim Kataguiri.
O endereço escolhido também tem forte ligação com o movimento estudantil e com a atuação política do grupo ligado ao candidato.
Augusto Cury (Avante) iniciou as atividades em Santa Luzia, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. O ato ocorreu na Praça Getúlio Vargas. O escritor e psiquiatra entrou oficialmente na disputa pelo Planalto pelo Avante.
Campanha nas ruas e na internet
Com o início oficial da campanha, candidatos e partidos passam a poder realizar comícios, carreatas, passeatas e outras ações de propaganda, além de pedir votos diretamente aos eleitores.
A propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão começa em 28 de agosto e será exibida até 1º de outubro no primeiro turno. A votação está marcada para 4 de outubro. Se houver segundo turno, os eleitores voltarão às urnas em 25 de outubro.
A partir de agora, a disputa também deve ganhar força nas redes sociais, onde as campanhas poderão ampliar a divulgação de propostas e disputar a atenção dos eleitores.
O primeiro dia deixa claro o tom escolhido pelas principais candidaturas: Lula aposta na memória de sua trajetória política e na defesa do governo; Flávio Bolsonaro busca mobilizar a base bolsonarista; e os demais candidatos tentam ampliar espaço em uma corrida ainda concentrada nos dois líderes das pesquisas.
