
Autoridades russas confirmaram, na manhã deste domingo (27), a morte do chefe do Grupo Wagner, Yevgeny Prigozhin, por meio de análise genética.
Prigozhin estava em um Embraer Legacy 600 que caiu perto de Moscou na quarta-feira (23), exatos dois meses após comandar um motim contra a cúpula militar de Vladimir Putin, presidente da Rússia.
Segundo o Comitê de Investigação russo, após uma análise genética molecular, os peritos concluíram que as amostras de DNA correspondem aos passageiros que constavam na lista de embarque. Além de Prigozhin, outras nove pessoas morreram, incluindo Dmitri Utkin, número dois do Grupo Wagner.
Após a queda do avião, políticos ocidentais sugeriram, sem apresentar provas, que Putin ordenou a morte de Prigozhin em vingança ao motim lançado contra a liderança do Exército russo em junho, no maior desafio imposto ao presidente desde que ele chegou ao poder, em 1999.
Os mercenários marcharam em direção a Moscou e só pararam após mediação do ditador da Belarus, Aleksandr Lukachenko.
Na última sexta-feira (25), o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, rebateu as acusações do assassinato, descrevendo-as como falsas.
“Há muita especulação em torno deste acidente de avião e das trágicas mortes dos passageiros, incluindo Prigozhin. É claro que, no Ocidente, toda a especulação é apresentada de um ângulo bem conhecido”, afirmou.
Dmitri Peskov também ressaltou que tudo isso é uma mentira, que é preciso se basear em fatos e que ainda há muito a ser apurado no decorrer das ações investigativas.
Na quinta-feira (24), Putin fez um pronunciamento sobre a queda do avião, durante o qual ofereceu condolências e disse que Prigozhin havia “cometido sérios erros”.
O acidente
O jato executivo Embraer Legacy 600 que transportava Prigozhin e outros mercenários do Grupo Wagner voava normalmente de Moscou a São Petersburgo até os 32 segundos finais de sua rota, em que a aeronave ficou instável antes de se estatelar na região de Tver, 160 km a noroeste da capital russa, no início da noite de quarta-feira (23).
O Legacy 600 é um avião muito seguro e este foi o primeiro incidente com mortos a bordo do modelo em mais de 20 anos de uso e quase 300 unidades fabricadas.
A apuração da queda poderia envolver a Embraer, que informou, em nota, que tem cumprido as sanções internacionais impostas à Rússia, levando à suspensão do serviço de suporte ao avião desde 2019.

O futuro do Grupo Wagner
O Grupo Wagner chegou a ter 50 mil soldados durante a Guerra da Ucrânia, segundo líderes da organização. Os mercenários foram responsáveis pela tomada da cidade de Bakhmut, no leste ucraniano, após conflitos sangrentos que duraram meses.
Depois, o Ministério da Defesa da Rússia emitiu uma ordem para enquadrar o grupo de mercenários a serviço do país sob seu controle. Na ocasião, o Wagner recusou os contratos formais e abriu uma nova crise com a pasta comandada por Serguei Choigu.
Questionado na sexta-feira (25) sobre o futuro do Grupo Wagner, que tem uma série de contratos na África, o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, foi conciso e direto: “Não posso contar nada agora, não sei”.