
O segundo vice-presidente do São José EC, Agostinho Plaça, afirmou em entrevista ao programa CBN Vale Esportes desta quinta-feira (20) que a assinatura do contrato definitivo entre o clube associativo e a Gros Participações, empresa do Grupo Oscarl Calçados que gere a Sociedade Anônima do Futebol (SAF) da Águia do Vale, deve ocorrer na próxima semana.
O processo de transformação do São José EC em SAF começou em 2022, quando Agostinho, então presidente do Conselho Deliberativo, conduziu a alteração do contrato social para criação do projeto. Na época, foi firmado um contrato de intenções — etapa inicial e obrigatória — seguido pela transferência da gestão à Gros Participações, comandada por Bruno Cazarine e Oscar Constantino.
O contrato definitivo entre as partes deveria ter sido assinado durante a gestão do presidente Celso Monteiro, que faleceu em outubro do ano passado. No entanto, o acordo acabou não avançando por divergências de cláusulas.
Com uma nova mesa diretora empossada (leia mais abaixo), as tratativas do contrato definitivo foram retomadas e a expectativa é que seja assinada na próxima semana.
“Já fizemos o contrato, passamos recentemente para os advogados da SAF, eles já entraram em contato com o nosso advogado, que deve se reunir já na próxima semana, e assim ajustar e definitivamente assinar”, garantiu Agostinho Plaça.
Importância da assinatura definitiva
Segundo Agostinho Plaça, a assinatura do contrato definitivo é essencial para que a Gros Participações cumpra sua principal obrigação legal como SAF: pagar as dívidas do clube em até seis anos, prorrogáveis para dez em casos específicos.
Agostinho afirmou que o passivo estimado do São José EC, sem qualquer tipo de negociação, é de R$ 25 milhões, sendo que R$ 8 milhões são referentes a IPTU, débitos trabalhistas e dívidas federais.
Ele relembrou também que parte desses débitos federais pode ser extinta, já que alguns processos acabam sendo encerrados após cinco anos, quando os órgãos responsáveis não tomam as providências necessárias. No entanto, o clube teria que solicitar formalmente esse encerramento.
Apesar do formato atual de pagamento — no qual 20% das receitas são depositadas na Justiça, por meio de um acordo firmado ainda em 2017/2018 — Agostinho reforçou que isso não atende ao modelo da SAF.
“A dívida do São José precisa ser quitada em um prazo de seis anos, mas quase metade desse tempo já se passou. Atualmente, o que está sendo pago ainda segue aquele acordo antigo de 2017 e 2018, que determina o depósito de apenas 20% das receitas do clube na Justiça — e é dessa forma que a SAF vem conduzindo o processo.
Esse modelo não é o adequado, porque, se continuar assim, o pagamento total da dívida pode levar de 30 a 50 anos, muito além do previsto em contrato.”

Impasses nos bastidores
Plaça destacou que a transição do São José EC para SAF só ocorreu porque o clube associativo “não tinha condições de arcar com seus compromissos” e que a Gros Participações precisa assumir definitivamente os compromissos financeiros, especialmente os débitos antigos.
“O empresário que assume a SAF de qualquer time tem que pôr a mão no bolso e quitar a dívida em seis anos. Isso é uma coisa clara e certa, e tem que ser praticada. Com a assinatura do contrato, esse primeiro ato vai ser praticado. Hoje, isso não está acontecendo.
Então, queremos que seja assinado para que seja cumprida toda a formalidade da lei da SAF. Se não, a SAF acaba ficando na irregularidade, porque ela tem que honrar os compromissos e não manter o que o São José EC praticava antigamente.”
Ao explicar o funcionamento das receitas no futebol, Plaça detalhou que o São José Esporte Clube hoje opera com limitações financeiras e com as seguintes receitas: bilheteria, sócio-torcedor, patrocínios e cotas da Federação Paulista de Futebol. Isso, no entanto, não é suficiente, já que o clube gera um custo de cerca de R$ 10 milhões por ano.
“São cinco elementos que fazem um time se sustentar. Nós (São José) só temos três no momento. E esses três não sustentam o custeio do clube”
Responsabilidade do clube associativo
Com a SAF administrando o futebol e as dívidas do São José EC, a nova mesa diretora do clube associativo — formada por Adilson José da Silva (presidente), Duarte e Agostinho Plaça (vices-presidentes) — terá a missão de fiscalizar a gestão da Gros Participações.
A nova mesa diretora tomou posse nesta quarta-feira (19) e irá comandar o clube associativo nos próximos três anos: 2026, 2027 e 2028. Além da mesa diretora (presidente e vices-presidentes), foram empossados 27 novos conselheiros que farão parte do Conselho Deliberativo.