
O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), esteve em São José dos Campos nesta segunda-feira (29) para participar da inauguração da nova frequência da Rádio CBN Vale em 90,7 FM. Em entrevista ao jornalista Milton Jung, ele falou sobre comércio exterior, economia e política nacional.
Sobre a proposta de ampliar a faixa de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, Alckmin defendeu que a medida é justa e não aumentará o déficit, já que será compensada pela tributação sobre as rendas mais altas. Ele fez questão de separar o debate de outra pauta polêmica, a da anistia dos presos por participação nos atos de 8 de janeiro:
“Uma coisa não tem nada a ver com a outra. O Imposto de Renda é justiça tributária e não deve ser contaminado por discussões políticas sobre anistia”, afirmou o vice-presidente.
Alckmin destacou que o Brasil tem potencial para ampliar negócios com os Estados Unidos. Ele lembrou que, enquanto os norte-americanos registram déficit comercial com a maior parte do mundo, mantêm superávit com o Brasil. Segundo o vice-presidente, isso abre espaço para negociações que possam reduzir tarifas sobre produtos brasileiros como aeronaves, celulose e ferro-níquel.

Terras raras
Durante a entrevista, o vice-presidente também ressaltou a importância das reservas minerais brasileiras. Ele explicou que o país possui nióbio, lítio e terras raras, considerados estratégicos para o futuro. Além disso, mencionou o programa Redata, lançado pelo governo para atrair data centers, aproveitando a matriz energética renovável do Brasil.
Taxa de juros e déficit público
Outro ponto abordado foi a Selic. Para Alckmin, os juros elevados encarecem o crédito e travam a economia. Ele disse acreditar que a inflação controlada e a queda do dólar criam condições para que o Banco Central acelere a redução da taxa, estimulando investimentos e consumo.
Por fim, Alckmin reforçou o compromisso do governo com as contas públicas. A meta é zerar o déficit primário ainda neste ano e iniciar a retomada do superávit a partir de 2026. De acordo com ele, equilibrar as finanças é essencial para reduzir a dívida pública e aumentar a confiança dos investidores.
