Advogado relata tentativa de homicídio após júri no Fórum de Taubaté

Um jovem de 23 anos morreu após ser atingido por disparos de arma de fogo na noite deste domingo (28), em Taubaté.
Foto: Reprodução

Um advogado de 76 anos registrou boletim de ocorrência após afirmar ter sido alvo de tentativa de homicídio e dano ao patrimônio ao deixar o Fórum Criminal de Taubaté, na tarde de terça-feira (10), logo após o julgamento de um caso de feminicídio que mobilizou familiares e pessoas ligadas à vítima.

De acordo com o registro da Polícia Civil, o advogado havia atuado na defesa de um homem de 32 anos, acusado de matar e enterrar a ex-companheira na zona rural de Taubaté. O caso foi analisado pelo Tribunal do Júri ao longo do dia.

Segundo o boletim de ocorrência, ao deixar o fórum acompanhado de funcionários e estagiárias, o advogado entrou em um Volkswagen Polo, quando um grupo de pessoas cercou o veículo. Conforme o relato da vítima à polícia, algumas pessoas teriam verbalizado ameaças e manifestado a intenção de agredi-lo ou matá-lo.

Ainda de acordo com o registro policial, durante o tumulto o carro do advogado foi danificado. Apesar da situação, ele e os demais ocupantes conseguiram deixar o local com escolta da Polícia Militar.

A Polícia Civil requisitou perícia para constatar os danos no veículo. O caso foi registrado como tentativa de homicídio e dano, com autoria ainda não identificada, e será investigado pelo distrito policial responsável pela área.

Caso julgado

Luiz Felipe da Silva Moura, de 32 anos, recebeu 43 anos e 6 meses de prisão pelo feminicídio e ocultação do corpo de sua ex-namorada, Mariana da Costa Nascimento, de 28 anos. O julgamento ocorreu na terça-feira (10) e durou cerca de seis horas, com decisão de um conselho de sete jurados, quatro homens e três mulheres. A defesa informou que vai recorrer da decisão.

De acordo com o Ministério Público, Luiz Felipe matou Mariana por enforcamento em junho de 2025, após um desentendimento na casa do acusado. Ele não aceitava o fim do relacionamento, que durou cerca de 11 meses, e passou a perseguir a vítima, que tinha medida protetiva contra ele.

Além disso, o réu tentou dificultar as investigações ao jogar o celular e uma bota da vítima em um rio. Posteriormente, a polícia encontrou o corpo enterrado na propriedade do acusado, na zona rural de Taubaté.

Durante o julgamento, Luiz Felipe negou ter cometido o feminicídio, mas confessou ter escondido o corpo. Ele alegou que encontrou Mariana já morta e decidiu enterrá-la por medo. O juiz Flávio de Oliveira César afirmou que o acusado agiu com frieza e indiferença à vida humana, e definiu a pena em 42 anos e seis meses pelo feminicídio e 1 ano pela ocultação do corpo.

Mariana foi dada como desaparecida em 9 de junho de 2025, depois de sair com Luiz Felipe no dia anterior. Durante as investigações, imagens de câmeras de segurança ajudaram a localizar o carro do acusado na região, enquanto policiais encontraram pertences da vítima próximos a um rio.

O suspeito foi preso em flagrante e a prisão preventiva foi mantida pela Justiça. Inicialmente, ele confessou o assassinato e a ocultação, mas depois alegou que apenas ocultou o corpo após encontrar Mariana morta.