
Um advogado de 76 anos registrou boletim de ocorrência após afirmar ter sido alvo de tentativa de homicídio e dano ao patrimônio ao deixar o Fórum Criminal de Taubaté, na tarde de terça-feira (10), logo após o julgamento de um caso de feminicídio que mobilizou familiares e pessoas ligadas à vítima.
De acordo com o registro da Polícia Civil, o advogado havia atuado na defesa de um homem de 32 anos, acusado de matar e enterrar a ex-companheira na zona rural de Taubaté. O caso foi analisado pelo Tribunal do Júri ao longo do dia.
Segundo o boletim de ocorrência, ao deixar o fórum acompanhado de funcionários e estagiárias, o advogado entrou em um Volkswagen Polo, quando um grupo de pessoas cercou o veículo. Conforme o relato da vítima à polícia, algumas pessoas teriam verbalizado ameaças e manifestado a intenção de agredi-lo ou matá-lo.
Ainda de acordo com o registro policial, durante o tumulto o carro do advogado foi danificado. Apesar da situação, ele e os demais ocupantes conseguiram deixar o local com escolta da Polícia Militar.
A Polícia Civil requisitou perícia para constatar os danos no veículo. O caso foi registrado como tentativa de homicídio e dano, com autoria ainda não identificada, e será investigado pelo distrito policial responsável pela área.
Caso julgado
Luiz Felipe da Silva Moura, de 32 anos, recebeu 43 anos e 6 meses de prisão pelo feminicídio e ocultação do corpo de sua ex-namorada, Mariana da Costa Nascimento, de 28 anos. O julgamento ocorreu na terça-feira (10) e durou cerca de seis horas, com decisão de um conselho de sete jurados, quatro homens e três mulheres. A defesa informou que vai recorrer da decisão.
De acordo com o Ministério Público, Luiz Felipe matou Mariana por enforcamento em junho de 2025, após um desentendimento na casa do acusado. Ele não aceitava o fim do relacionamento, que durou cerca de 11 meses, e passou a perseguir a vítima, que tinha medida protetiva contra ele.
Além disso, o réu tentou dificultar as investigações ao jogar o celular e uma bota da vítima em um rio. Posteriormente, a polícia encontrou o corpo enterrado na propriedade do acusado, na zona rural de Taubaté.
Durante o julgamento, Luiz Felipe negou ter cometido o feminicídio, mas confessou ter escondido o corpo. Ele alegou que encontrou Mariana já morta e decidiu enterrá-la por medo. O juiz Flávio de Oliveira César afirmou que o acusado agiu com frieza e indiferença à vida humana, e definiu a pena em 42 anos e seis meses pelo feminicídio e 1 ano pela ocultação do corpo.
Mariana foi dada como desaparecida em 9 de junho de 2025, depois de sair com Luiz Felipe no dia anterior. Durante as investigações, imagens de câmeras de segurança ajudaram a localizar o carro do acusado na região, enquanto policiais encontraram pertences da vítima próximos a um rio.
O suspeito foi preso em flagrante e a prisão preventiva foi mantida pela Justiça. Inicialmente, ele confessou o assassinato e a ocultação, mas depois alegou que apenas ocultou o corpo após encontrar Mariana morta.
