STF autoriza prefeitura de Taubaté a fazer reajustes nos adicionais de insalubridade

STF autoriza prefeitura de Taubaté a fazer reajustes nos adicionais de insalubridade
STF autoriza prefeitura de Taubaté a fazer reajustes nos adicionais de insalubridade. Foto: Caíque Toledo / PTBT

O Supremo Tribunal Federal (STF) declarou o trânsito em julgado no processo que questionava a constitucionalidade de um trecho da legislação municipal de Taubaté, que autorizava a Prefeitura a definir, por meio de decreto, os cargos que teriam ou não direito ao adicional de insalubridade. A decisão encerra, de forma definitiva, uma disputa que se arrastava desde agosto de 2023.

A ação foi movida pela Procuradoria Geral de Justiça (PGJ), que alegava que a norma, prevista no Código de Administração do Município em vigor desde 1990, violava os princípios da reserva legal e da separação de poderes ao retirar da Câmara Municipal a prerrogativa de participar das definições sobre os cargos beneficiados.

O caso foi julgado improcedente em dezembro de 2023 pelo Órgão Especial do Tribunal de Justiça de São Paulo. A PGJ recorreu ao STF, mas teve o pedido negado em março de 2024. Sem novos recursos apresentados, o STF declarou o trânsito em julgado nesta semana, encerrando o processo.

Entenda o caso

Enquanto o processo tramitava, o prefeito Sérgio Victor (Novo) editou, em fevereiro deste ano, um decreto regulamentando a concessão de adicionais de insalubridade, periculosidade e risco de vida a mais de 3.500 servidores municipais. A principal mudança foi a adoção do vencimento-base como referência para o cálculo dos adicionais, em vez do tempo de serviço e outros benefícios, o que geraria redução nos valores pagos. Além disso, houve ajustes nos percentuais: insalubridade passou a variar entre 10%, 20% e 40%, e periculosidade ou risco de vida foi fixado em 30%.

A medida gerou forte reação entre servidores, vereadores e entidades de classe. Diante da pressão, o prefeito recuou: um dia após a publicação do decreto, anunciou o adiamento da implementação por 90 dias, com início previsto para 1º de julho de 2024.

Câmara tentou anular correções no adicional de insalubridade

A Câmara por sua vez chegou a propor uma reunião extraordinária em março com o objetivo de anular os efeitos do decreto do Executivo que determinava possíveis cortes no reajuste dos servidores, mas a reunião foi cancelada, pois o Prefeito revogou o decreto original e publicou um novo, postergando a entrada em vigor das mudanças.

Câmara de Taubaté cancela votação que anularia decreto sobre insalubridade de servidores municipais
Câmara de Taubaté cancela votação que anularia decreto sobre insalubridade de servidores municipais. Foto: Câmara de Taubaté

Na ocasião os vereadores que assinaram o projeto criticaram a ação do Executivo, classificaram a publicação do novo decreto como uma “manobra” para evitar a votação.Um novo projeto, sobre o mesmo tema foi protocolado na Casa e aguarda apreciação dos parlamentares. 

Para Tribunal de Contas correções são necessárias

O Tribunal de Contas do Estado de São Paulo explicou a CBN Vale que sua equipe de fiscalização identificou ainda em 2023, vencimentos irregulares de adicional de insalubridade aos servidores da Prefeitura de Taubaté. Na ocasião, os auditores constataram que a Prefeitura concedia o adicional de insalubridade de 40% da remuneração dos trabalhadores, por risco biológico, indistintamente aos cargos e funções que desenvolviam atividades com contato direto e permanente com paciente ou material infecto-contagiante.

O Tribunal apontou que tais correções são necessárias a fim de se enquadrar os percentuais de maneira escalonada por grau de insalubridade conforme determina a Norma Regulamentadora – NR nº 15, sendo 10% para grau mínimo, 20% para médio e 40% apenas para os casos de grau máximo.

Com a decisão final do STF, a Prefeitura de Taubaté tem assegurado o direito de regulamentar, por decreto, os adicionais de insalubridade sem a necessidade de aprovação da Câmara.

A reportagem da CBN Vale enviou questionamentos complementares a prefeitura de Taubaté sobre a decisão do STF e aguarda um posicionamento da administração municipal.