Desmatamento na Amazônia vem registrando quedas nesse ano. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Os alertas de desmatamento na Amazônia tiveram queda de 67,9% em abril deste ano em comparação ao mesmo mês de 2022, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) divulgados nesta sexta-feira (12).
Foram identificados 329 quilômetros quadrados com indícios de desmatamento, a menor taxa dos últimos três anos, de acordo com o Greenpeace. Em abril de 2022, os alertas ultrapassaram mil quilômetros quadrados, de acordo com a organização.
Em janeiro e fevereiro de 2023, os alertas somaram 489 quilômetros quadrados, conforme o Inpe.
Os estados com o maior número de registros de desmatamento em abril foram o Amazonas, o Pará e Mato Grosso.
Para especialistas, o dado é uma boa sinalização, porém ainda não se pode afirmar que há uma tendência de redução da derrubada da floresta tropical.
Entre os fatores que podem explicar a queda estão ações adotadas pelo governo federal, como combate ao garimpo ilegal, exploração de madeira e aumento da fiscalização, com aplicação de multas e embargo de áreas, e também a cobertura de nuvens .
“É muito importante ter um trabalho integrado entre diversos órgãos, atuando no comando e controle no chão da floresta. Mas é preciso promover inovações tecnológicas, legais e infralegais, considerando que a destruição da floresta hoje é operacionalizada por meios tecnológicos inovadores. Além disso, é preciso atuar diretamente na fiscalização de instituições financeiras que têm coparticipação direta no aumento do desmatamento”, ressalta o porta-voz de Amazônia do Greenpeace Brasil, Rômulo Batista.
O Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter) do Inpe faz um levantamento rápido de alertas que mostram indicativos de mudanças na cobertura florestal na Amazônia desde 2004, a partir de imagens de satélite.
O objetivo é apontar onde está ocorrendo o desmatamento para apoiar os agentes de fiscalização. O tamanho da área desmatada é medido por outro sistema, o Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes), com divulgação anual.
O fundador do Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais) e pesquisador da USP (Universidade de São Paulo), Carlos Nobre, projetou nesta sexta-feira (5) que haverá um aumento considerável no número de queimadas no Brasil, devido às fortes ondas de calor e seca.
Tradicionalmente, esse período do ano (entre maio a agosto) é marcado pela diminuição da quantidade de chuvas no Brasil, devido a chegada do Outono e do Inverno.
Ao repórter Pedro Bavuso, da CBN Vale, Carlos Nobre explicou essa tendência climática que haverá no Brasil nos próximos meses.
“Com as mudanças climáticas e com o nível muito alto de desmatamento e degradação florestal, a tendência é o aumento de risco de queimadas, já que estamos em uma onda de calor e seca muito forte, e isso é o sinal para o fogo se espalhar com mais facilidade”.
Ele ainda afirmou que o fogo utilizado na agropecuária brasileira e os crimes que acontecem na floresta amazônica afeta nesse problema da onda de calor e da falta de chuva.
“Infelizmente, o fogo ainda é muito utilizado pela agropecuária brasileira e pelo crime que são cometidos na floresta amazônica. É muito importante políticas que diminuam o uso do fogo, como é utilizado na pecuária moderna, além de combater o crime na floresta amazônica”.
Por fim, o fundador do Cemaden alertou sobre os investimentos que precisam ser feitos nessa área de monitoramento e pesquisas de desastres geo-hidrológicos, seca e programas de redução de risco de desastres, que é o principal foco de trabalho do centro.
“Hoje já há sistemas que medem o risco de encostas deslizarem, mas o Cemaden tem poucas unidades desse sistema. Precisamos expandir muito, porque o deslizamento em encostas é o que causa o maior número de mortes em todos os desastres aqui no Brasil. O Cemaden já tem modelos matemáticos que analisam e preveem o risco em função da chuva, mas agora precisa ter um sensor instalado nas encostas que receba alertas de deslizamentos, além de aumentar, de 10 a 50, o número de radares meteorológicos, além de um supercomputador para processar essa gigantesca quantidade de dados”.
Essa fala de Carlos Nobre acontece no mesmo dia da visita da ministra do MCTI (Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação) ao Cemaden.
Na visita, a chefe da pasta conheceu as instalações do centro, que tem seu trabalho voltado ao monitoramento e pesquisas de desastres geo-hidrológicos, seca e programas de redução de risco de desastres.
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