
O ministro da Educação, Milton Ribeiro, pediu demissão do cargo nesta segunda-feira (28), após vir à tona o escândalo de um suposto favorecimento de pastores na distribuição de verbas do ministério. É a quarta vez que o atual governo federal decide trocar de ministro.
• Leia mais notícias da região clicando aqui
O pedido de exoneração foi entregue ao presidente Jair Bolsonaro na tarde desta segunda-feira, no Palácio do Planalto.
Milton Ribeiro iria ser ouvido pela Comissão de Educação do Senado, na próxima quinta-feira (31), sobre o caso que foi denunciado pelo jornal O Estado de S. Paulo, que revelou a existência de um “gabinete paralelo” no MEC comandado por dois pastores evangélicos sem cargo oficial na pasta.
Segundo a reportagem, os pastores Arilton Moura e Gilmar Santos teriam cobrado vantagens ilícitas de prefeitos para facilitar a liberação de verbas no âmbito do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação), fundo ligado ao MEC. Em seguida, o jornal Folha de S. Paulo revelou um áudio atribuído a Ribeiro, que afirma que a intermediação por meio dos pastores atendia a um pedido direto do Presidente Jair Bolsonaro.
Com a saída de Milton Ribeiro, o secretário-executivo, Victor Godoy Veiga, deve assumir o comando da pasta até o final desta semana, já que outros ministros do governo também deverão deixar seus cargos para disputarem as eleições, conforme determinação do TSE (Tribunal Superior eleitoral).
Ribeiro publicou uma carta se defendendo das acusações.
“Desde o dia 21 de março minha vida sofreu uma grande transformação. A partir de notícias veiculadas na mídia foram levantadas suspeitas acerca da conduta de pessoas que possuíam proximidade com o Ministro da Educação”
“Meu afastamento do cargo de Ministro, a partir da minha exoneração, visa também deixar claro que quero, mais que ninguém, uma investigação completa e longe de qualquer dúvida acerca de tentativas deste Ministro de Estado de interferir nas investigações.”
“Meu afastamento é única e exclusivamente decorrente de minha responsabilidade política, que exige de mim um senso de país maior que quaisquer sentimentos pessoais”.