
Nesta quarta-feira (23), no programa CBN Vale 1ª Edição, o comentarista do quadro CBN Economia, José Joaquim Nascimento, falou sobre o Custo Brasil da Logística de Transporte.
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As sociedades empresariais já estão familiarizadas com a expressão “Custo Brasil”. À medida que o cidadão comum vê os preços dos produtos básicos de seu consumo diário aumentar em virtude dos custos dos transportes, ele começa a ouvir na mídia a expressão “Custo Brasil” do transporte, dos tributos, da infraestrutura básica e dos juros, afetando suas condições.
Pois bem! O Custo Brasil pode ser entendido como uma expressão usada por economistas para se referir a um conjunto de dificuldades estruturais, burocráticas, trabalhistas e econômicas que vem atrapalhando o crescimento do Brasil, há décadas, por encarecer as atividades de produção e distribuição de nossas riquezas. Se o custo de produzir e distribuir aumentam, logo eles influenciam negativamente o ambiente de negócios, encarecendo os preços dos produtos nacionais e influenciando negativamente um maior consumo, tanto interno como externo.
As empresas tem mais dificuldades para investir e os consumidores mais dificuldades para comprar os produtos. Um dos custos que tem gerado preocupação é o custo de logística de transportes. A estimativa é que o Custo Brasil retire R$ 1,5 trilhão por ano das empresas instaladas no País (dados da CNT). Mesmo que a estatística de, aproximadamente, 20,5% do Produto Interno Bruto (PIB), não seja um indicador preciso, sabemos que o custo da logística de transporte impacta, significativamente, nos preços finais dos produtos e, consequentemente, nas capacidades de produção e consumo das pessoas.
Ao compararmos com países similares, do ponto de vista físico, podemos ter uma dimensão. Nos Estados Unidos, o custo logístico está em torno de 7,8% do PIB, enquanto no Brasil está 12,7%. Os dados são do estudo Custos Logísticos no Brasil, do Ilos (Instituto de Logística e Supply Chain).
Quando consideramos, segundo a CNT, que no Brasil, 65% da produção é deslocada em caminhões; 20% por trens; 12% pelo transporte aquaviário; 3% pelo dutoviário; e 0,1% pelo aéreo e, comparamos com os EUA, em que transporte rodoviário responde por 43%; o ferroviário, por 32%; o aquaviário, por 8%; o dutoviário, por 17%; e o aéreo, por 0,2%, fica evidente que nossa matriz de transporte está desbalanceada e, prejudicando nossas atividades econômicas.
O custo Brasil, seja do transporte ou de quaisquer outras áreas da atividade econômica precisa ser enfrentado pelos Governos, a partir de projetos mais ambiciosos. Os investimentos em infraestrutura para o transporte, a armazenagem, a estocagem necessitam serem inseridos em projeto maior de melhorias da competitividade que o Brasil tanto carece.
