CBN Economia: tendência de inflação dos alimentos para 2022 está aumentando o risco de insegurança alimentar dos mais pobres

insegurança alimentar
(Foto: CEE Fiocruz)

Nesta quinta-feira (27), no programa CBN Vale 1ª Edição, o comentarista do quadro CBN Economia, José Joaquim Nascimento, falou sobre a tendência de inflação dos alimentos para 2022 que está aumentando o risco de insegurança alimentar das populações mais pobres do Brasil.

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Os últimos dois anos, a inflação dos alimentos foi a mais alta da história moderna. Os preços subiram em média 28%, segundo a FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura). No Brasil, segundo o IBGE, a variação no ano de 2021 atingiu 37,5%.

O pior é que a tendência de números ruins para preços dos alimentos se mantém para 2022 e para os anos seguintes, fortalecendo a ideia de que tal tendência de inflação vai aumentar os riscos de insegurança alimentar das populações mais pobres do Brasil.

Os alimentos mais comercializados do mundo, como o milho, o trigo, açúcar, carnes, entre outros tiveram aumentos médios próximos de 30% quando comparados 2020.  São percentuais que estão muito acima da inflação oficial medida por órgãos oficiais do governo e que serviu de base para correção da renda de mais de 30 milhões de brasileiros que vivem de salário mínimo, isto para os que dependem do INSS.

Os fatores que estão impulsionando os aumentos dos preços no mundo todo parecem continuar suas pressões sobre os custos de produção e nas condições de oferta como um todo em 2022 e 2023, como indicam estudos de entidades internacionais (FAO) e nacionais (IBGE – DIEESE – CEPEA/USP). Quando falamos dos fatores estamos considerando, entre eles: preços crescentes da energia, aumento dos preços dos fertilizantes usados na agricultura, alterações climáticas que estão impactando decisivamente nas culturas (produções e safras), entre outros, como a própria variação cambial que afeta o transporte internacional.

A queda do consumo, principalmente, dos cereais e dos alimentos no geral, decorre de fatores que afetam o mundo todo e, também de questões específicas do Brasil, como a política de preços dos combustíveis, abandono da política agrícola de estoques reguladores entre outros que vem aumentando os riscos de maior vulnerabilidade social e, maior risco de aumento da insegurança alimentar, por dificultar o acesso a uma cesta maior de produtos alimentícios.

A alta de preço dos alimentos impacta na inflação, pois ela tem um peso de 25% na inflação nacional. O salário mínimo que foi reajustado este mês de janeiro não é suficiente pra comprar duas cestas básicas em capitais como São Paulo e Rio de Janeiro (Dieese). Este fato parece ser o indicador mais evidente de que a inflação, notadamente, dos alimentos pode piorar o acesso das populações mais pobres a alimentos e aumentar os níveis de pobreza que já vem se tornando crônico no Brasil.

Ouça o podcast completo com José Joaquim do Nascimento: