Suicídio entre policiais civis de SP é três vezes maior do que as mortes em serviço

policiais civis
(Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)

O suicídio entre policiais civis do estado de São Paulo registra índice epidêmico, sendo quase três vezes maior do que as mortes em serviço. Entre 2015-2021, 61 policiais civis tiraram a própria vida. No mesmo período, foram 21 policiais civis mortos enquanto trabalhavam. Somente neste ano, por exemplo, foram seis suicídios na Polícia Civil, contra um policial que faleceu durante o exercício da profissão.

Os dados são da Associação dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (ADPESP), via Lei de Acesso à Informação (LAI). Para o presidente da ADPESP, Gustavo Mesquita Galvão Bueno, há um somatório de fatores que levam ao suicídio, entre eles está a desvalorização do ser humano, os baixos salários e as práticas de atividades de alto risco.

Déficit

A polícia civil atualmente sofre com déficit recorde de 15 mil policiais no Estado de São Paulo. O delegado explica que há 2 mil policiais a menos no governo João Doria e que os policiais civis em São Paulo recebem os piores salários do país. Além do acúmulo de trabalho, os baixos salários e a falta de infraestrutura levam os policiais a situações limite, saírem dos empregos e até são obrigados a recorrer aos bicos para pagar suas contas, causando ainda mais sobrecarga física e mental.

Para Gustavo Mesquita, o atual Governo do Estado não valoriza seus policiais civis e a situação atual já atinge o limite.

Saúde mental

O presidente da ADPESP/ADPJ explica ainda que não há aulas no curso de formação da Acadepol sobre saúde mental, e a oferta de acompanhamento psicológico pela Polícia Civil não têm sido suficientes. Para ele, sem cuidados e sem o suporte realmente efetivo de um serviço de saúde mental, o estresse inerente à profissão só aumenta.

Ouça a reportagem de Julia Lopes:

 

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