
A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), acionou novamente o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para questionar a Meta sobre possíveis diferenças no funcionamento de sua inteligência artificial. Segundo a coligação, a ferramenta do WhatsApp permitiu gerar imagens com os dizeres “Flávio 22”, mas bloqueou pedidos semelhantes com “Lula 13”.
Testes realizados pela reportagem da CBN SP confirmaram diferenças nos resultados. Ao solicitar um cartaz com “Flávio 22”, em estilo político e nas cores verde e amarelo, a ferramenta gerou uma imagem com a frase “O Brasil que queremos”. Já os pedidos com “Lula 13”, “Luiz Inácio 13” e “Luiz 13” não tiveram o mesmo resultado.
Questionada sobre as diferenças, a inteligência artificial respondeu que tentou atender aos pedidos dos dois lados, mas o sistema impediu a conclusão de algumas imagens. A ferramenta também reconheceu a necessidade de tratamento igualitário. Procurada pela CBN, a Meta afirmou que adotou medidas adicionais para impedir a geração de imagens com o primeiro nome dos candidatos acompanhado do número eleitoral. Segundo a empresa, as regras eleitorais brasileiras levaram à suspensão temporária da recomendação de candidatos e da geração de imagens deles.
Falta de transparência
No processo, a coligação pediu ao TSE medidas urgentes para suspender as restrições que considera indevidas, retirar perfis inautênticos e compensar, em dobro, a perda de alcance das publicações. O secretário de comunicação do PT, Eden Valadares, questionou se os problemas técnicos afetam as campanhas da mesma forma e criticou a falta de transparência da plataforma. A Meta, por sua vez, afirmou à Justiça Eleitoral que uma falha nas métricas de visualizações foi global e temporária, atingiu mais de cem países e não alterou a distribuição real das publicações.
A disputa também envolve outras reclamações da campanha de Lula. Segundo a coligação, a Meta reconheceu no processo problemas como o bloqueio de uma conta de anúncios em setembro, uma falha no contador de visualizações de vídeos em 7 de outubro e a remoção de sete contas irregulares após acionamento judicial. A campanha afirma ter denunciado mais de 250 perfis suspeitos no Instagram.
A empresa pediu o arquivamento da representação, alegando que a petição não identifica os conteúdos questionados por meio de links específicos. O caso reúne denúncias sobre possíveis diferenças no alcance de publicações políticas, mas os relatos e os testes, por si só, não comprovam favorecimento deliberado de um candidato.
A geração também foi bloqueada para “Flávio Bolsonaro 22” e “Bolsonaro 22”. A ferramenta, porém, liberou uma imagem com o nome “Luiz Inácio da Silva 13”.
