Cesta básica familiar sobe 2,18% em setembro e registra a maior alta desde 2022 na RMVale

Carrinho de supermercado com compras. Cesta básica no Vale do Paraíba tem alta de 1,39% no mês de março de 2023, aponta Nupes
(Foto: Fernando Frazão/Ag.Brasil)

O custo médio da cesta básica familiar subiu 2,18% em setembro no Vale do Paraíba, após dois meses consecutivos de queda. O aumento foi o maior registrado pelo levantamento desde julho de 2022.

Segundo o Núcleo de Pesquisas Econômico-Sociais da Universidade de Taubaté (Nupes/Unitau), o valor médio passou de R$ 2.884,15 em agosto para R$ 2.947,02 em setembro. A diferença foi de R$ 62,87.

Desse total, R$ 62,44, ou 99,3%, vieram do grupo alimentação. Em julho, a cesta havia registrado queda de 2,53%, seguida por recuo de 1,05% em agosto.

A pesquisa acompanha 44 produtos de alimentação, higiene pessoal e limpeza doméstica destinados a uma família de cinco pessoas. Os preços são coletados quinzenalmente em 16 supermercados de Taubaté, São José dos Campos, Caçapava e Campos do Jordão.

Chuva influencia preços dos alimentos

De acordo com o Nupes, as condições climáticas contribuíram para a alta registrada em setembro. O excesso de chuvas, episódios de granizo no interior paulista e a passagem de um ciclone extratropical pelo Sul do país prejudicaram colheitas e provocaram perdas em lavouras de hortaliças.

A redução da oferta também pressionou os preços de produtos que haviam registrado quedas nos meses anteriores. A abobrinha teve a maior alta entre os produtos pesquisados, com aumento de 56,06%. Na sequência apareceram a batata inglesa, com 47,04%, e o tomate, com 45,34%.

A abobrinha teve a maior alta entre os produtos pesquisados

A abobrinha também apresentou alta de 99,91% em São José dos Campos. Segundo o levantamento, as chuvas e o granizo atingiram lavouras e reduziram a oferta do produto. A batata inglesa voltou a subir após quedas de 23,17% em julho e 29,35% em agosto. Já o tomate havia recuado 30,75% em julho, mas registrou alta de 45,34% em setembro.

Segundo o Nupes, o resultado está relacionado à redução da colheita da safra de inverno e às chuvas, que retardaram o amadurecimento dos frutos.

Entre os produtos que ficaram mais baratos em setembro estão a laranja pera, com queda de 7,13%, a banana nanica (-7%) e a cenoura (-6,90%).

Taubaté tem maior alta

Os quatro municípios pesquisados registraram aumento no custo da cesta básica em setembro. Taubaté teve a maior alta, de 3,60%. O valor passou de R$ 2.764,98 para R$ 2.864,62. Mesmo com o aumento, a cidade manteve a cesta mais barata entre os municípios pesquisados.

Em Caçapava, a alta foi de 2,96%, e a cesta chegou a R$ 2.889,98. São José dos Campos registrou aumento de 2,07%, com o valor passando para R$ 2.898,12.

Campos do Jordão teve a menor variação, de 0,32%, mas continuou com a cesta mais cara, a R$ 3.135,36. A diferença entre a cesta mais cara e a mais barata ficou em R$ 270,74, o equivalente a 9,45%. Em agosto, a diferença era de 13,03%.

Cesta compromete 36% da renda

A alta de setembro também aumentou o percentual da renda familiar necessário para comprar os produtos pesquisados. O Nupes considera uma família de cinco pessoas com renda equivalente a cinco salários mínimos. Em setembro, esse valor correspondia a R$ 8.105.

Na média dos quatro municípios, a cesta passou a comprometer 36,36% da renda familiar, contra 35,58% em agosto. Com isso, o valor disponível para outras despesas, como saúde, educação e transporte, caiu de R$ 5.220,85 para R$ 5.157,98.

Campos do Jordão apresentou o maior comprometimento, com 38,68% da renda destinada à cesta. Taubaté teve o menor percentual, de 35,34%. Apesar da alta de setembro, o valor médio da cesta ainda ficou abaixo do registrado em junho.

No acumulado de setembro de 2025 a setembro de 2026, porém, a cesta teve aumento de 3,76%, equivalente a R$ 106,79. No mesmo período, o IPCA-15 acumulou alta de 4,22%.

O grupo alimentação teve alta de 2,41% em setembro e representa 90,13% do valor total da cesta. Os grupos higiene pessoal e limpeza doméstica tiveram variações menores, de 0,11% e 0,19%, respectivamente.