Cortejo de Guaratinguetá é reconhecido como patrimônio cultural do Brasil

Cortejo da Cavalaria de São Gonçalo e São Benedito, de Guaratinguetá, é reconhecido pelo Iphan como patrimônio cultural do Brasil.
Foto: Fábio Bueno

O Cortejo da Cavalaria de São Gonçalo e São Benedito, de Guaratinguetá, agora integra o patrimônio cultural do Brasil. O Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) aprovou o registro nesta terça-feira (22), durante reunião realizada em Brasília.

Com a decisão, o Iphan vai inscrever o cortejo no Livro de Registro das Celebrações. Esse livro reúne festas e rituais ligados à religiosidade, à convivência coletiva e a outras práticas da vida social. Além disso, a Associação Cavalaria de São Gonçalo e São Benedito de Guaratinguetá, fundada em 1992, organiza a tradição.

Todos os anos, no Domingo de Páscoa, cerca de 2 mil cavaleiros participam do cortejo. Os participantes, vestidos de branco, percorrem aproximadamente 20 quilômetros pelas ruas de Guaratinguetá. Durante o trajeto, eles também param nos cemitérios para homenagear cavaleiros e cavaleiras que morreram. Enquanto isso, moradores montam altares nas calçadas e nas portas das casas para acompanhar a passagem da comitiva.

Tropeirismo e devoção marcam a tradição

A tradição reúne elementos do tropeirismo e da devoção afro-católica. Segundo a memória local, tropeiros e viajantes construíram, em 1726, uma capela dedicada a São Gonçalo do Amarante, padroeiro dos viajantes. Já em 1757, pessoas escravizadas colocaram na mesma capela a imagem de São Benedito e criaram uma irmandade dedicada ao santo.

Durante a celebração, os participantes levam o mastro de São Benedito em procissão até a Igreja do Puríssimo Coração de Maria. Em seguida, a Cavalaria escolta o mastro até o templo, acompanhada por bandeiras, estandartes, congadas, moçambiques e pelas Caixas de São Benedito. Depois, os cavaleiros realizam a meia-lua, movimento que remete às evoluções feitas pelos tropeiros a cavalo diante da capela.

Ao longo das décadas, o cortejo também incorporou mudanças na participação dos integrantes. A partir dos anos 1970, as mulheres passaram a desfilar na Cavalaria. Atualmente, o grupo conta com um grupamento feminino. Além disso, crianças de 8 a 13 anos participam como mantenas mirins e aprendem as regras e os elementos da tradição com as gerações mais velhas.