
O mercado de trabalho formal da Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte (RMVPLN) cresceu 1,05% no primeiro semestre de 2026. No entanto, o desempenho ficou abaixo das médias registradas no estado de São Paulo, de 1,75%, e no Brasil, de 1,96%, segundo levantamento do Núcleo de Pesquisas Econômico-Sociais (NUPES) da Universidade de Taubaté (UNITAU), elaborado com base em dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED).
O resultado, porém, apresentou diferenças entre os municípios da região. Enquanto cidades do eixo da Rodovia Presidente Dutra concentraram parte dos maiores saldos positivos, municípios do Litoral Norte registraram redução no número de postos de trabalho, movimento associado pelo estudo à sazonalidade de atividades ligadas ao comércio, aos serviços e ao turismo.
No acumulado dos seis primeiros meses do ano, São José dos Campos apresentou o maior saldo positivo, com 2.225 novos empregos formais. Na sequência aparecem Taubaté, com 1.853; Tremembé, com 1.417; Guaratinguetá, com 725; e Caçapava, com 602.
Entre os municípios com saldo negativo, Caraguatatuba teve a maior redução, com 935 postos a menos. Depois aparecem Jacareí (-832), Ubatuba (-598), São Sebastião (-229) e Cachoeira Paulista (-131).
Segundo o NUPES, a presença de três cidades do Litoral Norte entre os maiores saldos negativos está relacionada principalmente à redução sazonal de postos após o período de alta temporada.
Serviços concentram maioria dos empregos
Ao final do segundo trimestre, a RMVPLN reunia cerca de 639 mil vínculos formais. O setor de Serviços concentrava 327.747 empregos, equivalente a 51,25% do total. O Comércio aparecia em seguida, com 141.036 postos, ou 22,06%, enquanto a Indústria contabilizava 130.677 empregos, correspondentes a 20,44%.
Somados, Serviços e Comércio representavam 73,31% dos empregos formais da região. A indústria, por sua vez, apresentava maior concentração nos municípios do eixo da Rodovia Presidente Dutra. São José dos Campos, Taubaté, Jacareí e Pindamonhangaba reuniam, juntos, quase 67% dos empregos industriais da RMVPLN.

Segundo trimestre apresenta melhora
O levantamento também aponta mudança no comportamento do mercado de trabalho entre o primeiro e o segundo trimestre de 2026.
A Indústria, que havia registrado saldo negativo de 1.468 postos no primeiro trimestre, passou a apresentar resultado positivo entre abril e junho, com 209 vagas. No Comércio, o saldo passou de 213 para 1.052 postos. Já o setor de Serviços avançou de 3.808 para 8.238 vagas no segundo trimestre.
A melhora ocorreu mesmo com uma pequena redução nas admissões. As contratações passaram de 86.399 no primeiro trimestre para 86.057 no segundo, queda de 0,40%.
Os desligamentos, por outro lado, diminuíram 8,23%, de 83.591 para 76.714. Na avaliação do NUPES, os números indicam que a melhora do saldo esteve relacionada principalmente à retenção dos vínculos de trabalho.
Tremembé tem maior crescimento proporcional
Quando os resultados são comparados proporcionalmente ao estoque de empregos de cada município, Tremembé apresentou o maior crescimento no primeiro semestre, com alta de 19,63%.
Igaratá aparece em segundo lugar, com crescimento de 11,27%, seguido por Redenção da Serra (7,13%), Piquete (6,37%) e Lavrinhas (5,31%). Entre as maiores retrações proporcionais estão: Canas (-7,04%), Caraguatatuba (-3,47%), Ubatuba (-2,73%), Queluz (-2,55%) e Cachoeira Paulista (-2,46%).
O NUPES ressalta que a análise proporcional permite comparar municípios com diferentes tamanhos de mercado de trabalho. Em cidades com menor estoque de empregos, a abertura ou o fechamento de um número relativamente pequeno de vagas pode produzir variações percentuais mais elevadas.
São José concentra um terço dos empregos
O mercado de trabalho formal da RMVPLN permanece concentrado em poucos municípios. São José dos Campos responde sozinho por 33,4% dos vínculos formais da região.
Juntos, São José dos Campos, Taubaté e Jacareí concentram 55,73% do estoque de empregos formais. Os dez municípios com maior participação representam 83,9% dos empregos formais da RMVPLN. Além das três cidades com maior concentração, o grupo inclui Pindamonhangaba, Guaratinguetá, Caraguatatuba, Caçapava, Ubatuba, São Sebastião e Lorena.
O levantamento identifica ainda diferenças entre os perfis econômicos dos municípios. Enquanto as cidades do eixo da Via Dutra apresentam maior participação da indústria, municípios do Litoral Norte e da Serra da Mantiqueira possuem mercados de trabalho mais concentrados nos setores de Serviços e Comércio, incluindo atividades relacionadas ao turismo.

Levantamento
O estudo integra o trabalho do NUPES, que acompanha indicadores econômicos e sociais do Vale do Paraíba e Litoral Norte desde 1996. A partir de 2026, o núcleo passou a incorporar análises sazonais comparativas, além dos recortes trimestrais e semestrais sobre o mercado de trabalho.
A pesquisa utiliza microdados do Novo CAGED, do Ministério do Trabalho e Emprego, e considera os vínculos formais regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
O levantamento analisa o mercado de trabalho em três dimensões: o desempenho dos municípios em comparação aos cenários estadual e nacional; os resultados dos principais setores econômicos; e o comportamento individual das cidades da região.
