Lula usa dados do Inpe sobre desmatamento para rebater EUA: “Com mentira ninguém vai ganhar do Brasil”

Foto: Ricardo Stuckert

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)  voltou a rebater as acusações feitas pelo governo dos Estados Unidos, que usou o tema ambiental como uma das justificativas para impor tarifas a produtos brasileiros.

Lula participou nesta sexta-feira (7) de evento no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em São José dos Campos, onde foram apresentados os dados mais recentes sobre desmatamento no Brasil.

Lula classificou de “absurdo” o argumento americano, alegando que é o próprio Brasil quem compra produtos fabricados com mão de obra em condições análogas à escravidão em outros países — não o contrário. Segundo o presidente, a acusação provavelmente se refere à China, principal fornecedora de bens ao mercado brasileiro.

“Primeiro porque eu não tenho capacidade de interferência em outro país. Eu não sou ministro do trabalho de outro país. Eu não sou delegado de política de outro país”, afirmou.

Foto: Ricardo Stuckert

“Com mentira ninguém vai ganhar do Brasil”

O presidente disse que o governo brasileiro já formalizou notas de resposta e publicou artigos rebatendo as alegações americanas, e afirmou que nenhum país leva a questão climática tão a sério quanto o Brasil.

“Tentamos conversar com eles, já fizemos nota, já escrevi outro artigo que foi publicado hoje (…) que com mentira ninguém vai ganhar do Brasil. Ninguém”, declarou.

Para o presidente, divulgar uma imagem negativa do Brasil no exterior é uma tentativa de desqualificar sua trajetória pessoal e política.

“Eu não posso admitir que, ao escapar da fome na cidade que eu nasci, sobreviver e chegar aos 80 anos, permitir que alguém minta a respeito do meu país e a respeito do que eu faço”, disse.

Crítica direta aos Estados Unidos

O petista afirmou que nem mesmo os Estados Unidos tratam a pauta climática com a seriedade que o Brasil emprega, citando declarações do presidente americano, Donald Trump, que já colocou em dúvida a existência da crise climática.

“Ninguém, nem os Estados Unidos, leva a sério a questão climática como leva o Brasil”, disse Lula. “E eu já vi depoimento dele na ONU, dizendo que não acredita nessa questão climática, que não acredita nesse negócio, que é tudo mentira.”

Dados apresentados no evento

O encontro também marcou as comemorações dos 65 anos do Inpe e reuniu o vice-presidente Geraldo Alckmin, a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, e o secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, além de dirigentes do instituto.

Na ocasião, foram apresentados os números do Sistema de Detecção do Desmatamento em Tempo Real (Deter), referentes a julho de 2026 e ao fechamento do ciclo de monitoramento entre agosto de 2025 e julho de 2026 nos biomas Amazônia e Cerrado, além dos resultados do Prodes para Mata Atlântica, Caatinga e Pampa.

Durante a fala, Lula pediu que fossem exibidos gráficos comparativos e defendeu o uso dos dados oficiais do instituto como resposta às críticas internacionais, elogiando o trabalho da equipe técnica responsável pelo monitoramento por satélite.