Lula chama Marco Rubio de “bolsonarista” e diz que secretário dos EUA “não gosta” do Brasil

Presidente Lula durante visita ao Inpe, em São José dos Campos, nesta sexta-feira (7)
Presidente Lula durante visita ao Inpe, em São José dos Campos, nesta sexta-feira (7). Foto: Reprodução

Durante evento no Inpe, em São José dos Campos, nesta sexta-feira (7), para anúncio dos dados de desmatamento no Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou duramente o secretário de Estado americano, Marco Rubio, a quem atribuiu a nova tarifa imposta pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros.

Segundo Lula, “Rubio não gosta do Brasil”,  e que estaria utilizando uma postura diferente daquela discutida diretamente com o presidente americano Donald Trump, a quem responsabilizou por um novo aumento de tarifas contra produtos brasileiros.

Ao comentar as negociações comerciais entre Brasil e Estados Unidos, Lula afirmou que Rubio seria um “bolsonarista que nutre antipatia declarada pelo Brasil e pela América Latina como um todo”.

Além disso, Lula classificou Rubio como “um antilatino-americano, ou um latino-americano frustrado”, associando essa postura à ascendência cubana da família do secretário — segundo o presidente, descendente de cubanos radicados em Miami.

Eu disse pro Trump. Esse bolsonarista não gosta do Brasil. Ele é um anti latino-americano ou um latino-americano frustrado, porque ele foi embora de Cuba, nunca morou em Cuba, mas ele foi embora, ele é um descendente de cubano de Miami.

Ele odeia Cuba. Odeia a Colômbia. Odeia o Brasil e ele faz as coisas diferentes daquilo que a gente conversa com Trump, afirmou Lula.

Lula ao lado do presidente dos EUA, Donald Trump. Foto: Ricardo Stuckert / PR

Novo tarifaço veio “pela imprensa”

Lula relatou que soube do novo aumento de tarifas contra o Brasil pelos jornais, sem qualquer aviso prévio por telefone — apesar de, segundo ele, haver contato semanal entre as equipes dos dois países.

A nova taxação, de acordo com o presidente, representa um acréscimo de 2,5 pontos percentuais sobre as tarifas já existentes contra produtos brasileiros, gerando um impacto que Lula estimou em US$ 7,4 bilhões.

Ele ponderou, no entanto, que o peso da relação comercial entre os dois países vem diminuindo: a participação dos Estados Unidos no comércio exterior brasileiro teria caído de 22% para 9,4% nos últimos anos.

“Terra rara” e soberania sobre recursos minerais

Antes de criticar Rubio, Lula abordou as negociações sobre minerais estratégicos, lembrando que as chamadas terras raras reúnem 17 elementos químicos distintos.

O presidente afirmou ter deixado claro a Trump que o Brasil não veta os Estados Unidos nem tem preferência por China ou França, e que está disposto a receber investimentos de qualquer país interessado em explorar, transformar e trazer tecnologia ao país — mas rejeitou a ideia de o Brasil se tornar “um mero exportador” de uma riqueza mineral que, segundo ele, pertence ao povo brasileiro e deveria financiar um fundo em seu benefício.

“Claro que quando a gente fala terra rara, a gente tem que saber que tem 17 componentes químicos. Eu estou me preparando para o debate, mas entreguei para ele dizendo que o Brasil não tem veto ao dos Estados Unidos, o Brasil não tem preferência pela China, o Brasil não tem preferência pela França, o Brasil quer trabalhar com todos em condições de igualdade.

Quem quiser vir fazer investimento no Brasil, fazer farro que é no Brasil, explorar, transformar e trazer tecnologia, eu e o Álcool estaremos no aeroporto para receber de braços abertos. O que nós não queremos é que o Brasil vire um mero exportador de uma riqueza que não é nossa, é do povo”, disse o presidente.

Lula durante Visita ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE, em São José dos Campos. Foto: Ricardo Stuckert

“Eu não vou ficar chorando”

Ao tratar do impacto das tarifas americanas, Lula adotou tom de desafio, dizendo que o Brasil não depende de nenhum comprador específico e que vai buscar outros mercados sempre que um parceiro comercial recuar.

“A gente não tem preferência para vender para ninguém, a gente só quer vender para quem quiser comprar, e cada coisa que você deixar de comprar de mim, eu vou vender para outro, eu não vou ficar chorando”, afirmou o presidente.

Ao final da fala, Lula disse ter ficado “estarrecido” com a justificativa apresentada pelos Estados Unidos para a nova tarifa contra o Brasil, sem detalhar completamente o argumento americano.