Estudantes da UNESP apresentam pauta após protesto contra assédio em São José dos Campos

Estudantes da Unesp de São José dos Campos
Foto: Divulgação

Estudantes da UNESP (Universidade Estadual Paulista) apresentaram nesta terça-feira (5), uma série de reivindicações após o protesto no campus de São José dos Campos. O ato cobrou apuração de denúncias de assédio e estupro na instituição.

A mobilização ocorreu depois que a universidade abriu dois processos preliminares para investigar os casos. Durante o protesto, os alunos organizaram propostas e encaminharam as demandas à direção e a órgãos internos.

Entre os pedidos, os estudantes destacam:

  • reunião com a direção em até 1 semana;
  • envio dos casos à Reitoria, Ouvidoria e Proade;
  • criação de protocolo emergencial de acolhimento às vítimas;
  • afastamento dos denunciados durante a apuração.

Além disso, os alunos defendem prazos entre 60 e 90 dias para concluir investigações. Também pedem a criação de uma comissão com participação estudantil e especialistas em gênero.

No campo institucional, o grupo propõe um núcleo permanente para enfrentar o assédio. A iniciativa inclui elaboração de protocolos, apoio psicológico e jurídico e maior transparência sobre denúncias.

Por fim, os estudantes cobram campanhas informativas e formação obrigatória sobre consentimento e assédio. O movimento também prevê novos atos e uma pesquisa sobre violência no campus.

Os casos

O protesto ganhou repercussão após uma após denúncia feita por Carolina Ferreira, de 21 anos, ex-aluna do curso de odontologia. Ela acusa um professor de estupro. A jovem relatou impacto emocional e disse que não denunciou antes por dificuldade em lidar com a situação.

Outros relatos também vieram à tona após esse caso. Uma ex-aluna da universidade, a cirurgiã-dentista e perita judicial Bárbara Hatje, afirmou ter sofrido assédio durante aulas práticas. Segundo ela, o caso ocorreu em laboratório e gerou medo de denunciar, inclusive por receio de reprovação.

estudantes da UNESP com placas de protesto contra estupro
Protesto na Unesp. Foto: Joaquim Machado / CBN Vale

O que diz a UNESP

De acordo com a Unesp, denúncias podem ser feitas pela ouvidoria geral, local ou diretamente à direção. A universidade informou que garante sigilo, imparcialidade e até anonimato. Por isso, reforçou que a formalização é necessária para que os casos sejam investigados.

A instituição também destacou que reconhece o direito de manifestação dos estudantes. No entanto, pediu que os atos ocorram com respeito e diálogo. Por fim, reiterou o compromisso com um ambiente acadêmico seguro e com a apuração dos fatos.