MP investiga venda de fazenda de pesquisas no Vale do Paraíba

MP investiga venda de fazenda de pesquisas no Vale do Paraíba

MP investiga venda de fazenda de pesquisas no Vale do Paraíba
Foto: Reprodução

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) abriu procedimento para investigar a venda de uma fazenda pública de 350 hectares usada em pesquisas científicas em Pindamonhangaba, conhecida como Gleba Brasília. A apuração reúne denúncias da deputada estadual Beth Sahão (PT-SP) e da Associação dos Pesquisadores Científicos (APqC).

Segundo o MP, o caso envolve a destinação de parte da área, pertencente ao Estado desde 1910, e possível falta de transparência no processo. Um dos pontos é a forma como o imóvel foi transferido parcialmente para o Fundo de Investimento Imobiliário do Estado de São Paulo. Depois disso, houve negociação do terreno com a iniciativa privada.

As representações citam que a área foi vendida por R$ 17,1 milhões ao grupo SFA Agro, que tinha entre os sócios, à época, o empresário Paulo Skaf, seu filho e outros investidores. Os denunciantes afirmam que não houve audiência pública nem consulta à comunidade científica antes da operação.

MP investiga venda de fazenda de pesquisas no Vale do Paraíba
Foto: Reprodução

De acordo com os questionamentos apresentados ao MP, o espaço abrigava estudos voltados à agricultura e à pecuária, com pesquisas sobre produção de arroz, criação de peixes e suporte técnico a mais de mil produtores de leite do Vale do Paraíba, por meio de cooperativas.

Em respostas iniciais já anexadas ao procedimento, órgãos do governo estadual informaram que apenas 30% do terreno foi incorporado ao fundo imobiliário, com base em consulta pública, nota técnica, estudo de viabilidade e o Pregão nº 02/2017. Também afirmaram que a divisão considerou a continuidade de atividades científicas na área restante.

Agora, a Promotoria pediu novos esclarecimentos à Secretaria de Agricultura e Abastecimento. O prazo é de 45 dias para detalhar como foi feita a operação, quais critérios definiram o percentual transferido, se houve diálogo com instituições de pesquisa e se projetos foram interrompidos.

O procedimento é preliminar. Depois de analisar os documentos, o MP vai decidir se abre inquérito civil ou encerra o caso.

O outro lado – Fazenda

A reportagem da CBN Vale acionou o Governo do Estado de São Paulo sobre o pedido do MP.  A Secretaria de Gestão e Governo Digital disse diz que não foi notificada, que o imóvel foi incorporado a fundo estadual em 2019, e vendido em 2024 por R$ 17,1 milhões, 34% acima do laudo, seguindo a lei.

Nota oficial

“A Secretaria de Gestão e Governo Digital informa que não foi notificada. O imóvel em Pindamonhangaba foi integralizado em 2019 ao Fundo de Investimento Imobiliário do Estado de São Paulo, conforme autorizado pela Lei n. 16.338/2016, e a venda foi formalizada em 2024 pelo valor de R$ 17,1 milhões, 34% acima do valor do laudo oficial de avaliação. A operação seguiu os ritos regulamentares estabelecidos pela legislação em vigor.”