
A temporada de 2025 foi de altos e baixos para o São José EC. Em um ano marcado por expectativas elevadas e momentos de crise e exaltação, a Águia do Vale acumulou duas eliminações dolorosas que frustraram os principais objetivos do clube em 2026: retornar ao calendário nacional e à elite do futebol paulista.
O primeiro desafio foi a Série A2 do Campeonato Paulista, onde a Águia do Vale estreou jogando mal contra o Grêmio Prudente. O São José EC, no entanto, virou a página e venceu o arquirrival EC Taubaté, por 3 a 0, já na segunda rodada. Essa vitória foi muito comemorada, mas não o suficiente para embalar o São José EC na competição.
Após a vitória no Martins Pereira, a Águia do Vale, comandada até então por Moacir Júnior, empatou quatro vezes, venceu uma e perdeu duas, sendo que uma dessas derrotas, para o Juventus na oitava rodada, foi o suficiente para selar a demissão de Moacir Júnior.

Virada de chave
Em seu lugar assumiu Paulo Roberto, que trouxe consigo a experiência e a força de recuperar um São José EC que vivia uma crise de resultados e uma situação complicada na tabela de classificação. A estreia não foi das melhores: derrota de 3 a 1 para o Santo André, com direito a falhas do goleiro Jefferson Souza e confusão no entorno do estádio Martins Pereira após a partida.
A reação veio na rodada seguinte: vitória sobre a Ferroviária em Araraquara e o início de uma boa sequência de resultados nos quatro jogos seguintes, com vitórias sobre Portuguesa Santista e XV de Piracicaba, empate com o São Bento, mas com derrota para o Capivariano na penúltima rodada, o time de Paulo Roberto foi para a rodada final na ‘corda bamba’, já que precisava vencer e ainda contar com alguns resultados indiretos.
Nesta última rodada, diante do Oeste no Martins Pereira, o São José precisava vencer para se garantir nas quartas de final. Deu certo e a Águia do Vale terminou a primeira fase na quinta posição, com uma campanha de seis vitórias, quatro empates e cinco derrotas (48.9% de aproveitamento).

Quartas da Série A2 e queda para o rival
Veio às quartas de final e o destino quis que o adversário fosse o arquirrival EC Taubaté, que teria a vantagem de decidir a vaga em casa devido a melhor campanha na primeira fase.
No Martins Pereira, o São José EC chegou a balançar a rede, mas o gol foi anulado devido a um toque de mão de Michael Paulista. Na volta, veio o ‘balde de água fria’. Logo aos sete minutos do primeiro tempo, Ariel Luciano falhou e Guthierres não perdoou e fez a alegria de mais de 7 mil torcedores presentes no Joaquinzão. A queda da Águia frente ao Burro ainda teve contornos dramáticos com o goleiro Douglas Baldini defendendo um pênalti do atacante Thiago Rubim ainda na primeira etapa.
Além de amargar a eliminação, o torcedor joseense reviveu 1979, quando ficou na segunda divisão ao ser despachado pelo rival na semifinal da Divisão Intermediária (Série A2 na época).

Segundo semestre do São José EC
Sem Paulo Roberto (dispensado após o fim da A2) e com o elenco praticamente reformulado, a esperança de redenção na temporada veio com a Copa Paulista, competição que poderia colocar o São José de volta ao cenário nacional.
Sob o comando de Marcelo Marelli, o início na Copa Paulista foi perfeito. Vitória tranquila sobre o arquirrival Taubaté no Martins Pereira, além de triunfos imponentes sobre São Caetano, Santo André e Oeste no primeiro turno, que foi fechado com o empate ‘aceitável’ diante da Portuguesa Santista.
Veio o segundo turno, e mais uma vitória sobre o arquirrival Taubaté, só que no Joaquinzão. Classificação para a segunda fase garantida, segunda melhor campanha geral, tudo perfeito, até vir a rodada seguinte: Derrota para o São Caetano (a primeira na competição) em casa com direito a polêmica no minuto final.
A recuperação até veio no jogo seguinte com vitória Santo André, mas o futebol apresentado não foi o mesmo, tanto que o São José fechou a primeira fase empatando com Oeste e Portuguesa Santista.

Fase eliminatória e mais uma dura queda
Veio às oitavas de final e a desconfiança em relação ao futebol apresentado era grande. O adversário era o São Bento e o drama para se classificar foi até as alternadas dos pênaltis. A Águia passou no sufoco, mas seguia viva na briga pela vaga na final da Copa Paulista.
O adversário nas quartas foi o Comercial de Ribeirão Preto. O futebol apresentado seguia em baixa, tanto que perdeu o primeiro jogo por 1 a 0. Com a desconfiança da torcida e a pressão pelo resultado, o São José jogou todas as suas fichas no jogo da volta, onde martelou, mas não conseguiu furar o bloqueio do goleiro João Lucas (hoje no São José) e ainda viu Felipe Rodrigues selar a eliminação joseense diante da torcida no Martins Pereira.
A queda na Copa Paulista selou um ano de frustrações esportivas e encerrou de vez a temporada 2025 do São José EC. Apesar disso, houve uma evolução técnica em relação à temporada anterior (2024). A Águia saiu de um aproveitamento de 43,0% em 2024 para 48,4% em 2025. Em 2025, com 31 jogos (Paulistão A2 e Copa Paulista), foram 12 vitórias, 9 empates e 10 derrotas.

Expectativas do São José EC para 2026
A Águia do Vale vai para 2026 com o roteiro parecido com o de 2025: jogar a Série A2 e a Copa Paulista. Porém, o objetivo é o mesmo: subir na A2 (para voltar a elite do Paulistão) e chegar na final da Copa Paulista (voltar ao cenário nacional).
No entanto, o clima de otimismo da torcida não é tão alto como se viu nos últimos três anos. Alguns não estão aprovando as contrações feitas para 2026, mas o clube acredita que o trabalho da pré-temporada será primordial na construção do grupo que irá defender a Águia na sua terceira Série A2 consecutiva. Se vai dar certo ou não, só o tempo vai dizer…
*por Pedro Bavuso