VÍDEO: Em Colégio Cívico-Militar, jovens aprendem cantos para matar

Vídeo: Colégio Cívico-Militar: jovens aprendem cantos para matar
Foto: Reprodução / Redes Sociais

Um vídeo gravado em um colégio cívico-militar de Curitiba mostrou alunos marchando e entoando um canto que cita violência e ações em comunidades periféricas. As imagens, divulgadas pela APP – Sindicato dos Professores do Paraná, registram adolescentes repetindo versos como “Homem de preto, qual é sua missão? Entrar na favela e deixar corpo no chão”. 

A situação ocorreu na quadra da escola, enquanto um militar aposentado acompanhava a atividade. Por isso, o caso gerou preocupação entre entidades educacionais e reacendeu o debate sobre o modelo cívico-militar no Paraná.

Segundo a APP-Sindicato, a gravação reforça denúncias que já vinham sendo apresentadas desde a implantação do programa no estado. A presidenta da entidade, Walkiria Mazeto, afirmou que episódios semelhantes têm sido relatados em outras unidades. Além disso, ela destaca que o canto utilizado pelos estudantes repete trechos associados ao Bope e conhecidos nacionalmente após o filme “Tropa de Elite”, como:

“Homem de preto, o que é que você faz? Eu faço coisas que assusta o satanás. Homem de preto, qual é sua missão? Entrar na favela e deixar corpo no chão”.

A dirigente entende que esse tipo de prática contraria valores educacionais e pode reforçar discursos violentos entre adolescentes.

A letra citada também aparece em debates sobre segurança pública, já que relatórios recentes, como “Pele Alvo: crônicas de dor e luta”, indicam que 86% das vítimas de intervenções policiais com cor informada eram negras ou pardas. Esses dados, portanto, ampliam o impacto da discussão sobre a presença de referências armadas no ambiente escolar. Além disso, a polêmica surge em um momento em que 312 escolas do Paraná adotam o modelo cívico-militar, implantado pelo governo estadual desde 2021.

O programa prevê a presença de policiais militares aposentados atuando como monitores nas escolas. Porém, relatos de estudantes e funcionários apontam conflitos na rotina e no relacionamento interno. Alguns alunos, por exemplo, afirmaram que regras de aparência, como retirada de piercings e uso de bonés, tornaram o ambiente mais rígido. 

A militarização das escolas também é discutida na Justiça. Uma Ação Direta de Inconstitucionalidade apresentada ao Supremo Tribunal Federal (STF) questiona a legalidade do modelo paranaense. A manifestação da Advocacia-Geral da União (AGU) sustenta que estados não podem criar um sistema educacional que não esteja previsto na Lei de Diretrizes e Bases da Educação. Além disso, o órgão afirma que a Constituição não autoriza militares a exercer funções pedagógicas. O caso aguarda análise do ministro Gilmar Mendes.

O outro lado

A reportagem da CBN Vale entrou em contato com a Secretaria de Educação do Paraná para comentar sobre o fato. Em nota, a secretaria disse que a ação aplicada na escola não condiz com as diretrizes da rede estadual e que repudia qualquer  forma de violência.

Nota oficial:

“A Secretaria de Estado da Educação do Paraná (Seed-PR) informa que, ao tomar conhecimento do vídeo divulgado nesta sexta-feira (28), solicitou imediatamente esclarecimentos à direção da escola e aos profissionais envolvidos.
O conteúdo não condiz com as diretrizes da rede estadual. A Seed-PR repudia qualquer manifestação que estimule violência ou discriminação e reafirma seu compromisso com uma educação pautada pelo respeito, inclusão e proteção dos estudantes.”