Tarifa dos EUA derruba ações da Embraer na Bolsa

Tarifa dos EUA derruba ações da Embraer na Bolsa
Foto: Divulgação / Embraer

As ações da fabricante brasileira de aeronaves Embraer fecharam em forte queda nesta quinta-feira (10), após o anúncio de uma nova tarifa dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. A empresa liderou as perdas na Bolsa de Valores de São Paulo (B3), com desvalorização de até 8,41% ao longo do dia.

Embora tenha mostrado algum fôlego de recuperação durante a tarde, o impacto da medida foi imediato. A cotação dos papéis da Embraer caiu para R$ 71,63 no pior momento do pregão, mas fechou o dia a R$ 75,32, com queda acumulada de 3,7%.

Na manhã desta sexta-feira (11), as ações continuaram oscilando. Por volta das 11h, apresentavam baixa de 2,96%, embora em ritmo de leve recuperação.

A reação do mercado ocorreu após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar uma tarifa de 50% sobre todos os produtos brasileiros exportados para o país, com validade a partir de 1º de agosto deste ano. A decisão gerou preocupação entre investidores, principalmente porque a Embraer é uma das maiores exportadoras brasileiras para os EUA.

Segundo analistas do banco JPMorgan, a companhia está entre as mais expostas no setor de bens de capital às novas tarifas. De acordo com as estimativas, o impacto na receita da Embraer pode chegar a 13%, devido às vendas de jatos comerciais e executivos, como o Praetor e o E175, para clientes norte-americanos.

O modelo E175, por exemplo, é totalmente fabricado no Brasil e representou cerca de 9% da receita da empresa em 2024. Mesmo sem concorrentes diretos certificados, a nova tarifa pode comprometer a demanda pelo produto. Além disso, na aviação executiva, embora a montagem final de alguns modelos ocorra nos Estados Unidos, grande parte das peças ainda é fabricada no Brasil. Isso faz com que esse segmento também esteja sujeito à cobrança.

O que diz a Embraer

Em nota oficial, a Embraer afirmou que está avaliando os possíveis efeitos da medida norte-americana e que o tema será abordado na próxima reunião de resultados do segundo trimestre, marcada para o dia 5 de agosto.

A empresa também informou que está em diálogo com as autoridades competentes, com o objetivo de reverter a decisão e restaurar a alíquota zero dos impostos de importação para o setor aeronáutico.