
A nova tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros deve impactar duramente a economia nacional. No entanto, os efeitos mais imediatos seriam sentidos em regiões com forte vocação industrial e exportadora, como o Vale do Paraíba e o Litoral Norte de São Paulo.
Atualmente, os Estados Unidos são o segundo maior parceiro comercial do Brasil, sendo também o principal destino de produtos industrializados de alto valor agregado. Por isso, uma sobretaxa dessa magnitude pode provocar retração nas exportações e queda de faturamento.

Embraer e cadeia aeroespacial
Um dos setores mais expostos é o aeroespacial. A Embraer, instalada em São José dos Campos, é uma das principais exportadoras do país e tem nos EUA um dos seus maiores mercados para jatos comerciais e executivos. De acordo com dados oficiais, somente em 2024, a empresa movimentou mais de US$ 1,6 bilhão em exportações para os EUA, de acordo com números da Comex Stat, sistema oficial do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC) para consulta e extração de dados estatísticos do comércio exterior brasileiro.
Além disso, a cadeia de fornecedores que depende da Embraer, composta por dezenas de pequenas e médias empresas da região, também poderia ser afetada.
Em nota, a Embraer informou que está avaliando o impacto potencial das tarifas em seus negócios e que os efeitos serão discutidos na reunião de resultados prevista para agosto.
Posicionamento da Embraer
“A Embraer informa que está avaliando os possíveis impactos em seus negócios da possibilidade de aumento de tarifa anunciada ontem pelo governo americano sobre os produtos brasileiros, caso o decreto se aplique à indústria de aviação no Brasil.
Tais impactos serão abordados em nossa próxima conferência de resultados do segundo trimestre, no dia 05 de agosto.
A empresa está trabalhando com as autoridades competentes visando reestabelecer a alíquota zero dos impostos de importação para o setor aeronáutico.”
Indústria automobilística e metalúrgica
Outro setor que merece atenção é o automotivo. Cidades como Taubaté e São José dos Campos concentram unidades da Volkswagen e da General Motors, que exportam peças e veículos para diferentes mercados. Embora parte dessas exportações vá para a América Latina, os Estados Unidos ainda representam uma fatia importante.
Além disso, produtos metalúrgicos, como os fabricados pela Gerdau e a Novelis, em Pindamonhangaba, estão entre os mais afetados. Em 2024, a exportação de chapas e tiras de alumínio da região para os EUA superou os US$ 88 milhões.

Petróleo e gás no Litoral Norte
O Litoral Norte também sente os efeitos. A Petrobras opera o terminal de exportação de petróleo em São Sebastião, considerado estratégico para o escoamento da produção nacional. Em 2024, o envio de óleos brutos e refinados para os Estados Unidos a partir de São Sebastião e Ilhabela ultrapassou US$ 980 milhões. Se a tarifa for mantida, a demanda americana pode cair, reduzindo o volume movimentado e afetando receitas e operações locais.
Além da Petrobras, empresas como Shell e Repsol, que operam na região com logística e transporte marítimo, também seriam prejudicadas, ampliando o impacto sobre o setor portuário.

Química e produtos farmacêuticos
A indústria química é outro segmento relevante na região. Em Guaratinguetá, a unidade da Basf responde por grande parte das exportações de produtos químicos e farmacêuticos para os Estados Unidos. Em 2024, esse volume ultrapassou os US$ 61 milhões. A nova barreira tarifária pode levar à perda de mercado, uma vez que os custos extras serão repassados ao cliente final, tornando os produtos brasileiros menos atrativos.
Resumo do impacto regional
Veja alguns dos setores estratégicos que podem ser impactados:
| Setor | Empresas-chave | Cidades afetadas | Impacto principal |
|---|---|---|---|
| Aeroespacial | Embraer e fornecedores | São José, Taubaté, Caçapava | Perda de mercado, redução de produção e demissões |
| Automobilístico | VW, GM | Taubaté, São José dos Campos | Queda nas exportações de peças e veículos |
| Petróleo e Gás | Petrobras, Shell | São Sebastião, Ilhabela | Redução da demanda e movimentação portuária |
| Metalúrgico | Gerdau | Pindamonhangaba | Menor competitividade, risco à produção e ao emprego |
| Químico | Basf | Guaratinguetá | Perda de espaço no mercado externo |
O que dizem as empresas
Em resposta à reportagem da CBN Vale, a Volkswagen informou que não vai se posicionar sobre o tema.
A assessoria da Basf afirmou que está aguardando uma análise da empresa sobre as novas tarifas para se posicionar. A Novelis informou que está direcionando as demandas sobre o tarifaço para a Associação Brasileira do Aluminio (Abal), que ainda não retornou à reportagem.
Em nota, a Petrobras informou que segue monitorando o mercado e os efeito das novas tarifas:
“A Petrobras está avaliando o impacto destas tarifas, recém anunciadas, sobre o petróleo e seus derivados. A companhia segue atenta aos movimentos de mercado e mantém sua estratégia de buscar sempre a melhor alternativa para a empresa em qualquer cenário.
O posicionamento comercial e a atuação global da Petrobras permitem monitorar permanentemente os movimentos do mercado internacional e observar as opções mais econômicas.”
Nós não tivemos resposta da General Motors até o fechamento dessa matéria. O espaço segue aberto.