
O treinador e coordenador do São José Futebol Feminino, Adilson Galdino, participou do programa CBN Vale Esportes desta quarta-feira (18) para comentar o rebaixamento para a Série A3 do Campeonato Brasileiro e o futuro do clube joseense.
O profissional, que fez parte da “era de ouro” do futebol feminino do São José, revelou que houve avanços nas conversas com a Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Grupo Oscar Calçados e que os dirigentes estão cientes da situação difícil vivida pelo projeto.
No entanto, Adilson afirmou que a SAF ainda não apresentou nenhum plano oficial para assumir o futebol feminino joseense, embora a possibilidade já tenha sido discutida informalmente nos bastidores e que uma possivel ‘união’ pode acontecer a partir do ano que vem.
“Eles estão cientes de tudo que está acontecendo. Acredito que é um processo, nada imediato. Mas sim, há interesse em ter o futebol feminino sob responsabilidade da SAF, até porque faz parte do estatuto da SAF. Não houve nada concreto, apenas conversas de corredor, de que talvez a partir do próximo ano. Eu mesmo tive uma pequena reunião com representantes da SAF e acredito que isso foi levado ao presidente (Oscar Constatino)”.
Apesar das expectativas, Adilson Galdino afirmou que não foi procurado pela SAF após o rebaixamento para o terceiro nível do futebol brasileiro.
Lembrando que, desde sua criação, a SAF do São José EC tem como objetivo social a “criação e manutenção de equipes profissionais de futebol nas modalidades masculino e feminino”, conforme o parágrafo VIII do Artigo nº 2 da ata de constituição da entidade, assinada em outubro de 2022.
O parágrafo I do mesmo artigo também determina que a SAF é responsável pelo “fomento e desenvolvimento de atividades relacionadas com a prática do futebol, nas suas modalidades feminina e masculina”.
A própria Lei da Sociedade Anônima do Futebol (SAF), em seu artigo inaugural, define a SAF como uma “companhia cuja atividade principal consiste na prática do futebol, feminino e masculino, em competição profissional”.

Estruturação
Segundo Adilson Galdino, a estruturação do futebol feminino é um desafio antigo. A Prefeitura de São José dos Campos segue como principal apoiadora e gestora do projeto, mas vem sofrendo com limitações orçamentárias.
Apesar dos esforços das jogadoras, da equipe técnica e administrativa, o São José acabou rebaixado para a Série A3 do Campeonato Brasileiro Feminino. Para o treinador, o cenário era previsível, diante das limitações enfrentadas para a temporada 2025.
“A modalidade avançou muito financeiramente e a prefeitura está fazendo o que é possível para seguir essa caminhada. Já são três anos de muita dificuldade. Em dois deles, escapamos do rebaixamento apenas na última rodada.
Desde que voltei ao clube, em 2024, a equipe já estava na Série A2. Eu já dizia nas entrevistas: essa camisa, pela história e tradição, não pode estar onde está. Mas, infelizmente, dois anos se passaram e nada mudou.
Sabemos da força dessa camisa, e o futebol feminino do São José não pode permanecer nessa situação. Precisamos de apoio, patrocinadores e, acima de tudo, confiança no projeto”.

Devido a essas restrições orçamentárias, o São José apostou nesta temporada em um projeto que incluiu a participação de atletas mais jovens. A proposta busca fortalecer as categorias de base a longo prazo, oferecendo experiência e rodagem às jogadoras.
Contudo, dentro de campo, a estratégia não surtiu efeito. As Meninas da Águia foram derrotadas nos sete jogos que disputaram na Série A2 do Brasileiro e amargaram o rebaixamento para a terceira divisão. Ao todo, foram 32 gols sofridos e apenas um marcado.
Adilson afirmou que tanto a Prefeitura quanto a SAF estavam cientes da difícil realidade enfrentada pelo clube. Apesar do rebaixamento, ele destacou a evolução das jogadoras e o comprometimento do elenco em meio a disputa do torneio.
“O comportamento e o crescimento tático das meninas dentro de campo foram notáveis. Algumas até despertaram o interesse de outros clubes, que já iniciaram conversas sobre possíveis transferências.
Claro que o rebaixamento não era algo que desejávamos, especialmente para mim, que estive presente em grandes conquistas, como o Mundial de Clubes em 2014.
Mas essa é uma equipe muito nova, que ainda está amadurecendo. E, dentro das suas possibilidades, todas honraram a camisa do São José”.
Além do Mundial de 2014, as Meninas da Águia marcaram a história do futebol feminino brasileiro com outras glorias, como o tricampeonato da Libertadores, o bicampeonato da Copa do Brasil, além de três títulos estaduais.
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Próximos passos
Diante do cenário atual, o planejamento para o restante da temporada no São José Futebol Feminino segue de forma independente. No calendário do clube estão a terceira fase da Copa do Brasil, os Jogos Regionais e a Taça Paulistana, torneio que reúne as quatro equipes eliminadas na fase inicial do Paulistão, além de outras quatro que não participaram do estadual.
Caso o time fique entre os dois melhores nos Jogos Regionais, garantirá vaga nos Jogos Abertos do Interior. Até o momento, não houve nenhuma sinalização para o planejamento da temporada 2026.