
Ao menos dois estabelecimentos foram afetados pelo incêndio que destruiu um abrigo no centro de São José dos Campos na madrugada desta segunda-feira (10). Um homem de 42 anos, que confessou ter ateado fogo no local, foi preso pela Polícia Militar.
O caso mais grave foi o de uma loja de roupas vizinha ao abrigo, que também foi atingida pelas chamas. Parte do estabelecimento pegou fogo, destruindo cerca de 400 vestidos. O incêndio só não teve proporções maiores porque os bombeiros conseguiram controlar as chamas a tempo. A tragédia resultou em quatro mortes e nove feridos no abrigo que atendia pessoas em situação de vulnerabilidade.

Cláudia Araújo, proprietária da loja de roupas, disse à reportagem da CBN Vale que já teve inúmeros problemas com os frequentadores do abrigo, muitos dos quais seriam usuários de drogas e pessoas em situação de rua. Eles utilizavam o local de acolhimento para dormir e se alimentar, mas acabam descartando lixo irregularmente do lado de fora, próximo ao seu estabelecimento, segundo a empresária.
“Eu perdi praticamente todos os meus vestidos de festa. Os bombeiros, graças a Deus, conseguiram chegar a tempo de eu não perder os ternos e os vestidos de noiva, mas o resto, o meu trabalho de 10 anos, foi queimado”, lamentou Cláudia.
Ela contou ainda que foram feitas diversas denúncias à prefeitura, pelo número 156, sobre descarte irregular de lixo, móveis e colchões. No entanto, ao chegar ao local, os técnicos vistoriavam apenas o alvará de funcionamento do abrigo, sem tomar providências mais efetivas.
“O que mais me deixa entristecida é a impunidade, sabe? É você reclamar e não ser ouvida. E agora, quem é que vai me ouvir?”, questionou.

Outro local atingido pelo fogo foi uma igreja presbiteriana, que teve os vidros de janelas quebradas pelo calor do incêndio e cortinas que pegaram fogo. As salas atingidas são utilizadas por crianças e adolescentes em diversas atividades como ensino religioso, música e escola dominical. Não havia ninguém nos dois locais e não houve registro de feridos.
Outras vítimas do incêndio
De acordo com a Prefeitura de São José dos Campos, três vítimas do incêndio foram socorridas para o Hospital Municipal, incluindo um bombeiro, que posteriormente foi transferido para a Santa Casa. Mais tarde a corporação confirmou que o Militar já teve alta hospitalar.
Outras seis pessoas, afetadas pela inalação de fumaça, foram encaminhadas para as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) dos bairros Campo dos Alemães e Putim.
Segundo informações do Corpo de Bombeiros, 22 pessoas estavam no local no momento do incêndio.

Homem que provocou incêndio em abrigo está preso
A Polícia Militar prendeu Leandro Rangel Vilela, de 42 anos, ele confessou ter ateado fogo em um sofá que deu início a tragédia. O motivo, segundo ele, teria sido uma forma de represália por uma desavença que o mesmo teve com funcionários da instituição.
O que diz a Prefeitura
Em Nota, a prefeitura de São José dos Campos lamentou as mortes pelo ato criminoso e colocou diversas equipes a prestarem apoio aos familiares das vítimas do incêndio.
NOTA
“A Prefeitura de São José dos Campos lamenta profundamente o trágico incêndio provocado por um criminoso na madrugada desta segunda-feira (10), que matou quatro pessoas, num abrigo na região central, mantido por voluntários.
O sistema das câmeras de monitoramento da cidade do CSI (Centro de Segurança e Inteligência) foi ágil eficiente para identificar o autor e repassar as informações para a Polícia Militar que já prendeu o suspeito, próximo ao local do incêndio. Ele foi levado para a Central de Flagrantes e confessou o crime.
Segundo informações dos Bombeiros, no local haviam 22 pessoas.
Três vítimas do incêndio foram socorridas para o Hospital Municipal, incluindo um bombeiro, que posteriormente foi transferido para a Santa Casa.
Outras seis pessoas, afetadas pela inalação de fumaça, foram encaminhadas para as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) dos bairros Campo dos Alemães e Putim.
A Prefeitura se solidariza com as famílias das vítimas e colocou as equipes de Apoio Social, Defesa Civil e Saúde para prestar toda a assistência necessária.”