“Pensar em matar não é crime”, diz Flávio Bolsonaro sobre plano para assassinar Lula

Segundo a PF, “considerando todo o contexto da investigação, o documento descreve um planejamento de sequestro ou homicídio do ministro Alexandre de Moraes”.No trecho final, no entanto, os golpistas falam que também levantaram informações sobre outros alvos possíveis, identificados por codinomes: Jeca – que, segundo a PF, faria referência a Lula; Joca – que, também segundo a PF, seria Geraldo Alckmin; e Juca – que a PF, até esta semana, não tinha conseguido identificar. No material, intitulado “Planejamento Punhal Verde Amarelo”, os militares listam uma série de “demandas” operacionais e logísticas para concluir os planos.
Foto: Pedro França/Agência Senado – não é crime

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), afirmou nesta terça-feira (19), em uma rede social que “por mais que seja repugnante pensar em matar alguém, isso não é crime”. A declaração foi feita logo após a prisão de quatro militares e um policial federal suspeitos de planejar o assassinato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do vice-presidente Geraldo Alckmin e do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. A operação da Polícia Federal (PF) foi chamada de “Contragolpe” e resultou na prisão dos envolvidos no plano.

A Polícia Federal revelou detalhes do plano denominado “Punhal Verde e Amarelo”, elaborado por militares golpistas. O plano envolvia sequestros e assassinatos, e foi encontrado no celular do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro. A PF conseguiu recuperar documentos apagados, nos quais os envolvidos discutiam ações contra as três autoridades. O plano, impresso dentro do Palácio do Planalto, descrevia o assassinato de Lula, Alckmin e Moraes, com codinomes para os alvos, como “Jeca” para o presidente eleito.

Flávio Bolsonaro minimizou o caso, argumentando que o simples desejo de matar alguém não configura crime. “Todo mundo já teve a vontade de matar alguém em algum momento da vida”, disse o senador durante uma sessão da Comissão de Segurança Pública, que discutia a situação dos presos pelos atos golpistas de 8 de janeiro. Para ele, um crime só pode ser considerado como tal quando há uma tentativa efetiva de execução. “O que não aconteceu nesse suposto plano de assassinato de autoridade”, completou o parlamentar.

O general Mário Fernandes, que chegou a ocupar cargos importantes no governo Bolsonaro, também foi preso. Segundo a PF, ele foi responsável por imprimir o planejamento no gabinete da Secretaria-Geral da Presidência, no Palácio do Planalto. Flávio Bolsonaro, no entanto, minimizou o fato de que o plano tenha sido impresso dentro do Palácio. “Não houve crime nenhum, o crime precisa ter sido tentado, ter tido início”, afirmou, indicando que a impressão do documento não poderia ser considerada uma infração.

Plano de assassinato – “não é crime”

Segundo a Polícia Federal, “considerando todo o contexto da investigação, o documento descreve um planejamento de sequestro ou homicídio do ministro Alexandre de Moraes”.

Os militares golpistas citam ainda que foram levantadas informações sobre outros alvos identificados por codinomes:

Jeca – segundo a PF, seria uma referência a Lula;

Joca – seria Geraldo Alckmin, de acordo com a PF;

Juca – seria um codinome que a PF, até o momento, não conseguiu identificar.

No documento apreendido, intitulado de “Planejamento Punhal Verde Amarelo”, os golpistas listam uma série de “demandas” operacionais e logísticas para concluir os planos de assassinato. O militares citam a possibilidade de envenenamento do presidente Lula.

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Foto: PF / Reprodução / Plano de militares golpistas para assassinar Lula e Alckmin em 2022 – página 3