
Uma mulher de 55 anos é acusada de dopar o ex-marido, por cerca de dois anos e desviar sua fortuna avaliada em mais de R$ 50 milhões, em São José dos Campos. Elimara de Carvalho e Benedito Amaral eram primos e mantiveram um relacionamento por 27 anos, oficializado após o divórcio de Benedito em 1991.
Elimara é vista nas redes sociais como uma empresária de sucesso. O casal vivia em união estável, mas o relacionamento acabou em 2017, sem a partilha de bens, segundo a defesa da família do empresário. Elimara teria então se reaproximado de Benedito poucos anos depois, começando a transferir o patrimônio do empresário para seu nome, de acordo com a denúncia.
O empresário, que ficou debilitado após ingestão prolongada de medicamentos controlados (Zolpidem), foi encontrado em estado grave pelo filho, e faleceu em setembro do ano passado.
O advogado da família de Benedito, Dr. Marcio Boccardo Paes, explicou que a denúncia partiu por meio de áudios recebidos por uma testemunha em conversa com Elimara, que comprovariam as acusações. Hoje, a testemunha está sob proteção da justiça.
Nos áudios da denúncia, Elimara teria explicado à testemunha, como manipulou Benedito, então com 75 anos, para assinar contratos enquanto estava sob efeito dos medicamentos, e viver uma vida de luxo com o amante.
“Meu ex, assim, abobado, tanto é que eu tomei todo o dinheiro do meu ex…..como você acha que eu consegui tomar o dinheiro do meu ex, como? Pensa, que ex-marido daria tudo para a ex-mulher, assim, sabendo que a ex-mulher tem outro homem? Porque o meu ex tá tão, assim, abobado, sabe, que ele foi assinando tudo pra mim, sem saber”
O que diz o Ministério Público
Segundo o MP, a denúncia envolve Elimara de Carvalho e duas cúmplices, acusadas de tentativas de homicídio e maus-tratos contra Benedito Amaral. A denúncia alega que Elimara, com o intuito de se apropriar da fortuna de Benedito, o dopou com medicamentos, resultando em seu estado debilitado e eventual hospitalização.
Novas evidências, como depoimentos de médicos e testemunhas, incluindo uma protegida que afirma ter ouvido Elimara admitir que o dopava, foram apresentadas após o arquivamento inicial do caso. Um laudo pericial também revelou a falsidade de um documento que impedia o filho de Benedito, Fabrício, de visitá-lo.
Apesar das acusações de coação contra Elimara, o promotor não viu motivos suficientes para decretar sua prisão preventiva. A denúncia formal foi apresentada novamente, incluindo as qualificações das denunciadas e um pedido para que o processo legal siga adiante.
A reportagem da CBN Vale não conseguiu contato com a defesa de Elimara de Carvalho, mas o espaço segue aberto para a atualização desta matéria.