Queimadas no Brasil revelam ação de organização criminosa, diz climatologista Carlos Nobre

Queimadas no Brasil revelam ação de organização criminosa, diz climatologista Carlos Nobre
(Foto: Marcelo Rocha / CBN Vale / Climatologista Calos Nobre)

O Brasil enfrenta um cenário alarmante de queimadas, agravado por uma seca severa e mudanças climáticas. O climatologista Carlos Nobre, em entrevista ao programa CBN Na Rede, desta quarta-feira (11), alerta que o aumento das queimadas, especialmente no Estado de São Paulo e na Amazônia, está relacionado não apenas a fatores naturais, mas também à ação criminosa.

Em 23 de agosto de 2024, mais de 1.500 focos de incêndio foram detectados em um único dia no estado. Segundo Nobre, “nenhum desses incêndios foi causado por descargas elétricas, indicando que todos foram provocados intencionalmente por pessoas”.

O crime organizado tem adotado o uso do fogo para desmatar ilegalmente, expandir áreas de pastagem e promover grilagem de terras. A ministra Marina Silva afirmou que esses grupos criminosos mudaram de estratégia, utilizando queimadas para atingir seus objetivos. Nobre complementa que “a grande parte desses incêndios não foi provocada por agricultores, mas sim por criminosos que buscam expandir o desmatamento, mesmo onde o uso do fogo como manejo da terra está proibido devido à seca extrema”.

Queimadas no Brasil revelam ação de organização criminosa, diz climatologista Carlos Nobre
(Foto: Reprodução / CBN Vale / Climatologista Carlos Nobre)

Impactos econômicos e danos ambientais

Além de gerar grandes prejuízos econômicos, estimados em mais de um bilhão de reais em perdas na agricultura e pecuária, as queimadas trazem danos irreparáveis ao meio ambiente. Nobre destacou que a mineração ilegal, o uso de mercúrio e as queimadas estão destruindo a Amazônia e afetando as populações indígenas e ribeirinhas. “Estamos envenenando os rios e prejudicando as pessoas que dependem dessas águas. É um cenário devastador que exige ação coordenada das Forças Armadas, Ibama, Polícia Federal e outras autoridades para frear essa destruição”, alertou.

As queimadas na Amazônia e outras regiões estão sendo monitoradas por satélites, que detectam focos de incêndio em tempo real. Entretanto, Nobre destaca que a tecnologia sozinha não é suficiente. Ele sugere o uso de drones para identificar os criminosos em flagrante e combater de forma mais eficiente os incêndios ilegais. “Precisamos de um sistema robusto de drones para monitorar e capturar imagens do fogo no momento em que ele começa, a fim de responsabilizar os responsáveis”, explicou.

Mudanças climáticas e desafios futuros

O fenômeno El Niño tem amplificado o impacto das queimadas, com temperaturas oceânicas elevadas e secas severas. Nobre explicou que a ciência previa uma redução dessas temperaturas até o final de 2023, mas o calor continuou a aumentar. “Estamos vivendo um período de extremos climáticos sem precedentes, com ondas de calor, secas severas e recordes de chuvas ocorrendo simultaneamente”, disse o climatologista.

A solução para conter as queimadas e seus efeitos devastadores, segundo Nobre, passa pela combinação de fiscalização rigorosa, investimento em tecnologia e conscientização da população. “O uso de drones, sistemas modernos de monitoramento e a integração entre órgãos como o Ibama e as Forças Armadas são essenciais para controlar essa situação. É necessário um esforço coletivo e imediato para reverter esse quadro”, finalizou.