
A Embraer divulgou nesta sexta-feira (19) que obteve uma receita total de R$ 19,641 bilhões em 2020. O valor, apresentado no relatório de resultados do ano anterior, é 10% menor do que o registrado em 2019. O prejuízo que envolve todas as atividades da aviação comercial, executiva, defesa e serviços da fabricante de aeronaves foi de R$ 3,616 bilhões, percentual 174,5% maior do que as perdas de 2019.
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De acordo com a empresa, as receitas e despesas foram impactadas pela apreciação média de 30% do dólar em relação ao real, enquanto a forte redução no volume de entregas de aeronaves ocorreu principalmente em razão da pandemia da Covid-19, que segue afetando as viagens aéreas comerciais. No comparativo com 2019, por exemplo houve uma queda de 34% no despacho de aeronaves. Foram 130 no total, sendo 44 comerciais e 86 executivas.
No entanto, no quatro trimestre do ano passado, houve a quebra de uma sequência de trimestres negativos. A receita gerada foi de R$ 9,812 bilhões, 14% superior ao mesmo período de 2019. Foram entregues 28 jatos comerciais e 43 executivos. O prejuízo foi limitado à fabricante de aeronaves graças a melhora no nível de entrega de aeronaves em relação aos nove primeiros meses de 2020, somada às ações de reestruturação da companhia para contenção dos custos.
Demissões
Em setembro de 2020, a Embraer desligou 2,5 mil trabalhadores. No início daquele mês, a empresa havia encerrado o prazo de adesão ao terceiro PDV aberto aos trabalhadores. A medida, que tinha o objetivo de reduzir o quadro de funcionários em meio a pandemia, contou com 1,6 mil adesões. Com isso, outros 900 cortes foram anunciados pela fabricante.
Além do PDV, a Embraer adotou outras medidas como férias coletivas, redução de jornada, lay-off e licença remunerada. O Sindicato dos Metalúrgicos de São José moveu uma ação contra a fabricante, pedindo a reintegração dos funcionários desligados, e o caso é analisado pelo Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região (TRT-15).
Caixa
No ano de 2020, a Embraer apresentou um uso livre de caixa ajustado de R$ 4,757 milhões, um aumento de 996% quando comparado aos R$ 434,6 milhões utilizados em 2019. Esse efeito negativo, revertido principalmente no último semestre, também ocorreu devido aos impactos da pandemia na indústria, envolvendo setores como aviação comercial e serviços e suporte.
Apesar desses indicadores, a liquidez da empresa fechou 2020 com um caixa de R$ 14 bilhões e 300 milhões, acima dos R$ 11 bilhões e 200 milhões de 2019. Já a dívida líquida ao final do ano estava em R$ 8 bilhões e 800 milhões. Ao final de 2019 era R$ 2 bilhões e 468 milhões. Devido à incerteza relacionada à pandemia da Covid-19 e seus impactos na indústria, a Companhia decidiu por não publicar, nesse momento, suas estimativas financeiras e de entregas para 2021.