
Após intensa pressão da família do jornalista Vladimir Herzog e de organizações da sociedade civil, a Escola Estadual Jornalista Vladimir Herzog, localizada em São Bernardo do Campo (SP), decidiu não adotar o modelo cívico-militar proposto pelo governo do Estado de São Paulo.
A escola era uma das 15 no Grande ABC que manifestaram interesse inicial em aderir ao programa, conforme divulgado pela Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP) no dia 18 de julho. No entanto, a Seduc confirmou nesta segunda-feira (22) que a escola recuou da decisão.

Comemoração e Protestos
A diretora da escola, Ana Lucia de Freitas Ferreira, nomeada em maio de 2022, viu a decisão ser celebrada por Ivo Herzog, filho do jornalista. “Vitória! A manifestação de todas e todos deu resultado! Lugar de militar é nos quartéis, não nas escolas!”, afirmou ele em uma rede social. Anteriormente, Ivo havia se manifestado contra a adesão ao modelo cívico-militar, prometendo tomar medidas legais caso a proposta avançasse.
O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP) também se posicionou contra a adesão, considerando-a uma afronta à memória de Herzog e uma agressão a seus familiares e à categoria dos jornalistas.
Repercussão e consulta pública
A Seduc-SP anunciou um edital de convocação de consulta pública, permitindo que as comunidades escolares opinem sobre a implantação do modelo cívico-militar. As reuniões com pais e responsáveis devem ocorrer até o final de julho, com as opiniões sendo registradas de 1º a 15 de agosto. As escolas selecionadas serão anunciadas até o final de agosto.

Legado de Vladimir Herzog
Vladimir Herzog foi um jornalista, professor e cineasta que se tornou um símbolo de resistência contra a ditadura militar no Brasil. Em 1975, ele foi convocado para depor no DOI-CODI, onde foi torturado e morto, embora a versão oficial tenha alegado suicídio. A Comissão Nacional da Verdade concluiu em 2013 que Herzog foi morto sob tortura, e o Estado brasileiro reconheceu sua responsabilidade. Recentemente, a Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) condenou o Estado brasileiro pela detenção, tortura e assassinato de Herzog, recomendando uma investigação judicial completa dos fatos.
A família Herzog enfatiza a importância de preservar o legado do jornalista. “Dentro da temática de educação, Vladimir Herzog e militares são corpos que não se misturam”, declararam, pedindo ao governador reconsideração da proposta.
Com a decisão de não adotar o modelo cívico-militar, a Escola Estadual Jornalista Vladimir Herzog continua a honrar o nome e a memória do jornalista que lutou pela democracia e pelos direitos humanos no Brasil.