
As deputadas federais Fernanda Melchionna e Sâmia Bomfim, ambas do PSOL, afirmaram que entraram com uma representação na Procuradoria de São Paulo contra a Prefeitura de São José dos Campos. Elas pedem pela suspensão da retirada do livro “Meninas Sonhadoras, Mulheres Cientistas” das escolas municipais.
A obra foi retirada das unidades escolares no início de junho, após o vereador Thomaz Henrique (PL) apontar apologia ao aborto.
Em uma publicação no X (antigo Twitter), Fernanda afirma que o recolhimento “constitui um ato ilegal, lesivo ao patrimônio público e contrário aos princípios constitucionais”.
Na rede social, a parlamentar disse que a retirada do livro é uma “censura de conteúdos educativos”.
Fernanda Melchionna é bibliotecária e preside a Frente Parlamentar em Defesa do Livro, Leitura e Escrita, recriada em novembro de 2023 com o objetivo de promover a democratização do livro e da leitura.
O vereador Thomaz Henrique se pronunciou em suas redes sociais.
“Uma das deputadas é do Rio Grande do Sul e, ao invés de trabalhar pela reconstrução do seu estado, fica querendo se meter em São José dos Campos para garantir a doutrinação de nossas crianças. Não irão conseguir, nós venceremos”, escreveu.
Em nota enviada à CBN Vale, a Prefeitura de São José dos Campos disse que “irá se manifestar nos autos quando for oficialmente notificada”.
Veja a publicação da deputada Fernanda Melchionna
NÃO À CENSURA! Eu e @samiabomfim entramos com representação na Procuradoria de São Paulo contra a prefeitura de São José dos Campos para suspender a censura ao livro “Meninas Sonhadoras, Mulheres Cientistas”.
A obra foi retirada das escolas públicas após o pedido de um vereador… pic.twitter.com/tCkDujDgFW
— Fernanda Melchionna (@fernandapsol) June 22, 2024
Sobre a retirada do livro
O livro “Meninas Sonhadoras, Mulheres Cientistas” foi retirado das salas de leitura das escolas municipais de São José dos Campos no início de junho. A medida aconteceu após o vereador Thomaz Henrique (PL) acusar a obra de fazer apologia ao aborto.
Escrito pela juíza Flávia Martins de Carvalho e lançado em julho de 2022, o livro destaca a história de 20 pesquisadoras que alcançaram posições de destaque.
A vereadora Marielle Franco, assassinada no Rio de Janeiro em março de 2018, é uma das pessoas citadas no livro, que destaca, em sua maioria, mulheres negras.
Durante uma sessão na Câmara Municipal, o vereador Thomaz Henrique cobrou a retirada ao afirmar que uma das referências do livro é Débora Diniz, defensora do aborto.
“A gente quer saber quem aprovou, quem comprou esses livros para as escolas públicas do município, quem permitiu isso aqui? Precisa ser punido, não acredito que o prefeito concorde com isso aqui, e esse livro tem que ser recolhido das escolas”, disse o parlamentar.
Após a retirada do livro, o vereador comemorou nas redes sociais.
“Boa notícia. […] A Prefeitura agiu, e agiu rápido, por isso eu parabenizo o prefeito e o secretário de educação. Mas sigo cobrando, porque o dinheiro foi gasto”.

O que diz a Prefeitura de São José dos Campos
Em nota enviada à CBN Vale, a Prefeitura de São José dos Campos confirmou a retirada do livro de todas as unidades de ensino.
Segundo a administração, o conteúdo será reavaliado pela equipe técnica da Secretaria de Educação e Cidadania.
A administração ainda disse que “os exemplares nunca estiveram disponíveis nas salas de aula ou nas bibliotecas públicas do munícipio, apenas nas salas de leitura das escolas”.
Editora repudiou a retirada
A Editora Mostarda, responsável pela publicação, chegou a se manifestar sobre a retirada do livro das escolas públicas São José dos Campos.
Em uma publicação nas redes sociais, a editora disse que recebeu a notícia “com surpresa”.
A empresa disse que “tem como diretrizes a educação antirracista, a diversidade, a igualdade entre os gêneros e o respeito à ciência”.
A editora ainda descreveu a retirada como uma medida autoritária.
