
Em meio à aceleração global do mercado de hidrogênio verde, impulsionada pela necessidade de transição energética, o Brasil se destaca com grande potencial para a produção e exportação dessa promissora fonte de energia. Nesse cenário, Ubatuba surge como a primeira cidade brasileira a negociar um projeto de tal magnitude em nível municipal.
A parceria foi estabelecida entre a ISCM Foundation, uma organização belga sem fins lucrativos, e a Prefeitura Municipal de Ubatuba. O acordo poderá gerar mais de 4 bilhões de euros (aproximadamente R$ 21,6 bi) para a cidade ao longo de 30 anos.
Os estudos de viabilidade para a implantação do hidrogênio verde no município começaram após a visita do prefeito de Ubatuba, Marcio Maciel (MDB), à sede da Fundação em Bruxelas, em dezembro. A primeira fase do projeto, que inclui a seleção de empreiteiras e o local para a instalação da planta de produção, deve ser concluída em 14 meses.
Recursos
A ISCM é uma fundação sem fins lucrativos que atua globalmente, investindo em projetos sustentáveis e inovadores, ao mesmo tempo em que promove o desenvolvimento de programas de bem-estar social. A captação de recursos para a implementação do projeto é de responsabilidade da ISCM Investments, o braço financeiro da Fundação. De acordo com a Prefeitura de Ubatuba, o município não terá nenhum ônus, cabendo a ela o apoio institucional necessário para a obtenção de licenças e permissões para as empresas que gerirão o empreendimento.
Zsolt Nyiri, presidente do conselho de administração da ISCM, revela que o financiamento está sendo obtido junto a investidores privados e organismos financeiros internacionais, como o Banco Europeu de Investimento e o Banco Europeu para a Reconstrução e o Desenvolvimento. A Fundação ISCM, registrada na ONU e membro da Aliança Europeia para o Hidrogênio Limpo, já tem projetos de hidrogênio verde em andamento em outras cidades no México e na Ásia.
Sustentabilidade – Hidrogênio Verde
O principal objetivo da produção de hidrogênio verde é substituir as atuais fontes de energia que geram gases de efeito estufa, contribuindo para o aquecimento global. Atualmente, a gasolina, por exemplo, é obtida a partir da exploração do petróleo, uma atividade que emite gás carbônico e tem despertado a preocupação de pesquisadores em todo o mundo.
Pelo contrato firmado, a ISCM ficará com 10% dos lucros da venda do hidrogênio, valor que será integralmente revertido para ações de sustentabilidade em Ubatuba, especialmente na educação, com a criação de uma escola técnica voltada principalmente para o empreendedorismo. Além disso, um dos grandes benefícios para Ubatuba será a despoluição de um dos seus rios, o Acaraú, cujo custo está incluído no projeto e não será coberto pelos 10% dos lucros destinados à ISCM.
Produção do Hidrogênio Verde
Inicialmente, a produção do H2V será realizada por meio da eletrólise convencional, em que uma fonte de eletricidade limpa (hidráulica, solar ou eólica) divide a molécula de água (H2O), separando o hidrogênio do oxigênio. No entanto, a ISCM planeja utilizar em Ubatuba uma tecnologia recém-patenteada que aumenta a eficiência da eletrólise em 6,6 vezes, segundo Nyiri. A exportação do H2V será realizada após sua conversão em amônia, por meio de um dos portos mais próximos de Ubatuba, como o de São Sebastião.
Educação
Ainda, segundo a Prefeitura, o projeto de hidrogênio verde tem como prioridades o fortalecimento dos sistemas de educação, saúde, proteção ambiental e zeladoria.
Além disso, a gestão municipal planeja iniciar um projeto de educação ambiental nas escolas municipais da cidade, voltado para alunos do ensino fundamental. O foco será a energia limpa e o hidrogênio verde, com aulas especiais e um workshop envolvendo alunos, educadores e membros da Fundação ISCM. Essa iniciativa representa um passo importante para a conscientização das novas gerações sobre a importância da sustentabilidade e das fontes de energia renováveis.