
Dizem que a Aritmética é um dos gomos de uma grande laranja azeda chamada Matemática. Os outros gomos são Álgebra, Geometria, Astronomia.
Foi dessa forma, como uma grande laranja azeda, que o escritor Monteiro Lobato apresentou a Matemática aos leitores de seu livro “Aritmética de Emília”, lançado em 1935, 88 anos atrás.
Na obra, Emília e o Visconde de Sabugosa transformam divisões, subtrações, frações e outras operações matemáticas em diversão pura. Mas, a Matemática, essa era tratada como uma “grande laranja azeda”. E, pelo jeito, continua sendo. O resultado da mais recente prova do Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes) a principal avaliação do ensino médio do mundo, foi bastante azedo para o Brasil.
Segundo o Pisa, 7 em cada 10 estudantes brasileiro não sabem o mínimo de Matemática. Não estamos falando de cálculo 1, cálculo 2, raiz quadrada, nem nada complexo. Esse resultado se refere a operações básicas, contas simples, somar, subtrair.
O retrato é triste: apenas 1% dos estudantes brasileiros de 15 anos de idade foram bem na prova, contra 73%, esse é o índice certinho, que “bombaram” feio. O resultado coloca o Brasil em 64º lugar, entre 80 países avaliados. E, pior, ladeira abaixo. Na avaliação anterior, três anos atrás, estávamos melhores.
É honesto dizer que os 80 países avaliados ficaram pior na fita, fruto, segundo os organizadores da prova, dos anos de pandemia –que fecharam escolas e colocaram milhões e milhões de estudantes em casa, sob ensino remoto. Mas o retrato brasileiro é que nos interessa. E o quadro ruim vai além da Matemática. Em Ciências e Leitura, metade dos nossos estudantes também ficou abaixo da média.
E, em que pese que 81% dos alunos brasileiros estudem em escolas públicas, a prova do Pisa trouxe um resultado ruim também no ensino particular.
Resumo da ópera: estamos mal.
O triste é que estamos mal faz tempo, apesar de alguns bons avanços no ensino integral e na área da alfabetização. A Educação do Brasil está chupando essa laranja amarga há décadas, sem sinal claro de reversão, apesar de existirem algumas “ilhas” de excelência, algumas bem perto de nós.
A quem interessa esse atraso crônico? Tudo isso, junto e misturado, faz a gente pensar que país mais ter –e, principalmente, que país queremos ter—no futuro. Base de tudo, a Educação não pode continuar a ser tratada como uma grande laranja azeda.
Segue o baile …
CBN Política Regional de 23 de Novembro de 2023
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