
Foi inaugurado nesta terça-feira (22), em São José dos Campos, o ‘Monumento Heróis de Alcântara‘, em homenagem às 21 vítimas do acidente no Centro de Lançamento de Alcântara, ocorrido há 20 anos, na cidade de Alcântara, no Maranhão. O evento contou com a presença de familiares do engenheiro Roberto Tadashi Seguchi, que à época, então com 46 anos, foi um dos profissionais que perderam a vida no trágico acidente.
Com iniciativa da Prefeitura de São José dos Campos e do DCTA (Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial), o monumento, feito em alvenaria, tem seis metros de diâmetro, possui placas das instituições e uma com os nomes dos heróis, e está localizado na Praça Heróis de Alcântara, Trevo de acesso ao Jardim da Granja.
Ao lado do marco, foi instalado um protótipo de foguete lançador de Satélite, em referência ao evento.

O acidente
Há exatos 20 anos, em 22 de agosto de 2003, às 13:26h, ocorreu o acidente que vitimou os técnicos e engenheiros do então CTA (Centro de Tecnologia Aeroespacial), sediado em São José dos Campos após um incêndio no Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão.
A explosão ocorreu quando os profissionais preparavam o lançamento de um protótipo do foguete de fabricação nacional, o VLS (Veículo Lançador de Satélites), na missão, nomeada Operação São Luís, previsto dentro das atividades do Programa Nacional de Atividades Espaciais.
O VLS, foguete considerado de pequeno porte, com 19,5 metros, com peso aproximado de 50 toneladas, tinha como principal missão, colocar em órbita satélites de até 350 kg, a uma distância média de 750 km da superfície terrestre.
Investigação
A investigação oficial do acidente concluiu que o incêndio da plataforma foi causado pela ignição antecipada de um dos propulsores do foguete VLS-1, no entanto, não houve o esclarecimento sobre o que poderia ter causado a ignição.
“Não foi identificada nenhuma falha ativa, ou seja, provocada por erro ou violação acidental ou intencional que tenham gerado resultados imediatos, dando início ao incêndio”, diz o relatório.
Ainda, de acordo com o relatório:
Às “13h 26min 07s, as câmeras 1 (nível 1) e 2 (nível 3) já haviam saído de operação, em função da fumaça (Figura 42). A câmera 3 deixou de mostrar imagens às 13h 26min 08s e a câmara 4 às 13h 26min14s.
Ou seja, em apenas 8 (oito) segundos toda a torre móvel de integração já havia sido tomada pela fumaça dos gases a alta temperatura (até 3.000oC), tornando qualquer tentativa de escape literalmente impossível, mesmo que a torre móvel de integração fosse dotada de outros recursos de proteção ou fuga”.

RELATÓRIO DA INVESTIGAÇÃO DO ACIDENTE)
Perderam a vida no acidente:
Amintas Rocha Brito, 47, engenheiro
Antonio Sergio Cezarini, 47, engenheiro
Carlos Alberto Pedrini, 45, engenheiro
Cesar Augusto Costalonga Varejão, 49, engenheiro
Daniel Faria Gonçalves, 20, mecânico
Eliseu Reinaldo Vieira, 46, engenheiro
Gil Cesar Baptista Marques, 44, cinegrafista
Gines Ananias Garcia, 46, engenheiro
Jonas Barbosa Filho, 37, técnico
José Aparecido Pinheiro, 39, técnico
José Eduardo de Almeida, 38, cinegrafista
José Eduardo Pereira II, 43, técnico
José Pedro Claro da Silva, 51, engenheiro
Luis Primon de Araújo, 45, engenheiro
Mario Cesar de Freitas Levy, 43, Engenheiro
Massanobu Shimabukuro, 43, técnico
Mauricio Biella Valle, 42, engenheiro
Roberto Tadashi Seguchi, 46, engenheiro
Rodolfo Donizetti de Oliveira, 35, técnico
Sidney Aparecido de Moraes, 38, técnico
Walter Pereira Junior, 45, técnico