PF deflagra operação Hoste do Vale em São José dos Campos e região

Hoste do Vale
(Foto: PF)                                                                Hoste do Vale

A Polícia Federal (PF) deflagrou na manhã desta quinta-feira (29), a operação “Hoste do Vale”, com o objetivo de combater uma milícia privada comandada por particulares e integrada por agentes públicos que, por meio de ameaças e do emprego da força, atuavam para praticar diversos outros crimes.

Na ação de hoje, cerca de 90 policiais federais cumprem 16 mandados de busca e apreensão, expedidos pela 3ª Vara Criminal da Justiça Estadual de São José dos Campos/SP, nos municípios de São José dos Campos (2), Jacareí (7), Santa Branca (3), Mauá (2), Mogi das Cruzes (1) e Guarulhos (1).

A investigação, iniciada a partir dos desdobramentos da operação “Pau na Gata I”, deflagrada em outubro de 2019, revelou a existência de uma milícia particular comandada por um ex-presidente de um sindicato de São José dos Campos (SP) e formada tanto por servidores públicos quanto por civis.

Segundo a Delegada da Polícia Federal de São José dos Campos, Drª Patrícia Helena Shimada, o referido grupo, que seria liderado pelo ex-sindicalista Ivam Rodrigues, do Sintricom (Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias da Construção e Montagem Industrial), foi responsável pela coerção e intimidação praticada por meio de violência física e moral contra pessoas relacionadas à Refinaria Henrique Lage (Revap), em São José, além de ataques contra bens ligados à refinaria, como depredação de ônibus e veículos particulares. Tais fatos ocorreram em 2019.

Ainda, segundo a PF, o trabalho investigativo também comprovou a ligação entre os vários membros do grupo criminoso, os quais possuíam tarefas bem definidas dentro da estrutura da organização, que manteve suas atividades ilícitas inclusive para a defesa de outros interesses de terceiros.

Além da contratação de homens responsáveis por atos violentos e graves ameaças a bens e pessoas, a milícia contava com o apoio de agentes públicos que, se valendo dessa posição, realizavam consultas em bancos de dados para repassar aos líderes do grupo informações privilegiadas sobre vítimas e possíveis ações policiais em desfavor da organização criminosa.

Os suspeitos são investigados pelos crimes de milícia privada, divulgação de segredo e falsidade ideológica, além de delitos relacionados à posse, porte e comercialização ilegal de armas de fogo. Se condenados, a pena pode chegar até 33 anos de prisão.

(Foto: Reprodução/TV Globo)

Ex-sindicalista responde a outros inquéritos policiais

Em entrevista exclusiva à CBN Vale, a delegada Drª Patrícia Helena Shimada, confirmou que a ação de hoje ainda é decorrente da operação ‘Pau na Gata’, ocorrida em outubro de 2019, que teve objetivo de desarticular uma organização criminosa voltada a prática de crimes de extorsão, ameaça e crimes contra organização do trabalho, que segundo as investigações, teriam sido praticados por representantes do Sintricom contra trabalhadores terceirizados da Revap.

A FP apura se o grupo ainda está em atividade. Já a delegada Drª Patrícia, confirmou que Ivam Rodrigues também é alvo da operação, e que ele está associado a mais de uma dezena de inquéritos policiais, mesmo assim, o ex-sindicalista responde os processos em liberdade.

O sindicalista Ivam Rodrigues chegou a ser preso em 2019, no Centro de Detenção Provisória do Putim em São José dos Campos. 

Na operação de hoje cedo, foram apreendidos documentos, dinheiro e armas de fogo.

O que diz o Sintricom

A assessoria de imprensa do Sindicato, em contato com a reportagem da CBN Vale, explicou que Ivam Rodrigues foi deposto judicialmente do cargo de presidente do Sintricom, e que em setembro de 2020, o ex-Secretário-Geral da entidade, Marcelo Rodolfo da Costa, assumiu o cargo de presidente.

O Sintricom confirmou que Ivam não é mais filiado ao sindicato, que não possui nenhuma relação com os seus representantes, e que a instituição sempre cooperou com a PF nas investigações e com a transparência de contas, com o objetivo de “limpar o nome” do sindicato, depois dos “danos que ele [Ivam] causou”. 

E expulsão de Ivam, ocorreu após assembleia aprovada pelos sindicalistas, e ele também não pode participar de eleições futuras, por ordem judicial, completou a assessoria.

Ainda, segundo o Sintricom, além de Ivam Rodrigues, a antiga diretoria que atuava na gestão do investigado, também não faz mais parte do sindicato.