Empresa de São José quer lançar motor capaz de cruzar continentes em 2 horas

CEO da empresa de São José, Orbital Engenharia, sentado à mesa de entrevista do estúdio da CBN Vale 1ª edição
(Foto: Marcelo Rocha/CBN Vale/Empresa de São José)

A Orbital Engenharia, empresa de São José dos Campos que atua na área de pesquisa de microgravidade, trabalha no projeto de um motor hipersônico que será capaz de viajar de um continente a outro em apenas duas horas. A informação foi obtida durante entrevista com o CEO Célio Vaz, na CBN Vale 1ª edição, nesta segunda-feira (12).

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“É um motor que visa ser utilizado em drones não tripulados para fazer entregas do Brasil para a China, por exemplo, em duas horas. É o motor das futuras aeronaves de passageiros, com velocidade hipersônica cinco a dez vezes maior que a velocidade do som, o que seria 7 mil km/h”, explicou o diretor.

Em outubro deste ano, a Orbital tornou-se mais conhecida ao lançar a PSM-MQ (Plataforma Suborbital de Microgravidade – Modelo de Qualificação), pelo foguete VSB-30, produzido pelo IAE (Instituto de Aeronáutica e Espaço), do Centro de Lançamento de Alcântara (MA).

Em órbita

A PSM-MQ permanece em órbita de seis a oito minutos, em trajetória balística, com velocidade acima de 100 km/h. Este tempo, aparentemente curto, é suficiente para que a plataforma ofereça energia e transmissão de dados sobre o experimento em tempo real.

Segundo o CEO da companhia, a vantagem de se realizar experimentos em ambiente de microgravidade é que, lá, a força gravitacional que age sobre os corpos é mil vezes menor do que aqui, no solo. “Isso permite experimentos científicos na área de agronegócio, na área de fármacos, com resultados que não obteríamos aqui no solo, por causa das deformações causadas pela força da gravidade”. Ele citou que, durante a pandemia de Covid-19, por exemplo, obteve-se resultados científicos e tecnológicos mais próximos dos reais, já que não foram mascarados pela força da gravidade.

Tecnologia 100% brasileira

Vaz também afirmou que a PSM-MQ é um dos meios mais baratos, em termos de investimento, de se realizar experimentos no ambiente microgravitacional. “O Brasil adquiriu tecnologia nessa área, temos capacidade de realizar experimentos em ambiente seguro nacional”.

“Nossos cientistas são tão capazes quanto os cientistas norte-americanos. E, talvez por uma característica do povo brasileiro, sejam até mais criativos. Prova disso é que conseguimos realizações acadêmicas, científicas e tecnológicas com muito menos recurso. Com recursos, estaríamos competindo de igual para igual”, afirmou o engenheiro.

Desde 2004, a marca projeta e fabrica no país painéis solares com satélites brasileiros, o que, até então, era importado da Alemanha.

“Eu vejo a área de tecnologia como algo que deveria ser tratado como programa de estado, que transcende governos. A área de tecnologia, principalmente a área de espaço, não deveria ser programa de um governo específico, mas de estado”.

Um dos objetivos futuros é que, além do setor público, a brasileira Orbital ingresse também no mercado internacional, principalmente no dos Estados Unidos. A empresa já abriu startup naquele país, com lançador e plataforma.

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