
O cientista brasileiro Carlos Nobre foi eleito membro da Royal Society, instituição britânica prestigiada em todo o mundo científico fundada em 1660. Além de Nobre, a academia selecionou mais 60 cientistas por suas contribuições à ciência.
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Carlos Nobre é o segundo membro estrangeiro do Brasil na instituição. Além dele, o único brasileiro a figurar na lista era Dom Pedro II, imperador do Brasil, eleito em 1871 não como cientista, mas como membro da realeza.
Em entrevista ao programa CBN Vale 1ª edição, Carlos Nobre contou que a sua eleição como membro estrangeiro da Royal Society, representa o reconhecimento da importância da Amazônia, objeto de suas pesquisas há mais de 40 anos. O cientista contou que isso se deve ao fato de haver uma preocupação mundial com a preservação da Amazônia, que está próxima do ponto do “não-retorno”.
Desmatamento na Amazônia
Nobre disse ainda que há muitos anos as políticas efetivas que reduziam o desmatamento na Amazônia foram totalmente abandonadas, principalmente no atual governo de Jair Bolsonaro (PL), fazendo com que o desmatamento explodisse nos últimos 3 anos e meio.
De acordo com o cientista, a reação da comunidade científica mundial em relação a Amazônia é de muita preocupação. Um estudo publicado mostrou que 75% da floresta amazônica perdeu sua capacidade de regeneração nos últimos 20 anos.
Carlos Nobre
Nobre é engenheiro eletrônico formado pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). Desde o início de sua carreira no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), em 1982, ele está à frente dos estudos sobre a Amazônia. Atualmente, ele mora em São José dos Campos.
O cientista ambiental formulou a hipótese de “savanização” da Amazônia, devido a seu desmatamento. Na USP, o pesquisador desenvolve o projeto Amazônia 4.0, que busca a construção de fábricas portáteis e altamente tecnológicas para aprimorar as cadeias produtivas na região de forma sustentável, tanto para a floresta, quanto para as comunidades locais.