
As constantes elevações das taxas de juros para conter a inflação evidenciam que o Banco Central do Brasil (BC) está com um receituário ultrapassado. Esse foi o tema do comentarista do quadro CBN Economia, José Joaquim do Nascimento, na quarta-feira (6). Confira.
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A elevação da taxa de juros como o único instrumento de política monetária para controle da inflação no Brasil já evidencia mais perdas do que ganhos para a economia em termos de investimentos e consumo. Somente por estes fatores podemos dizer que o Banco Central parece está obcecado por uma política de empobrecimento da maioria, já que a alta dos juros não mostra-se eficiente para dominar a inflação.
Lembrar que, em 12 meses apenas, saímos de juros de 2% ao ano e já elevamos a taxa em 9,75% e nada de baixar a inflação. A inflação atual é um problema para todos os países e os juros é a ferramenta mais conhecida pelos tecnocratas dos bancos centrais mundo a fora. Apenas é a ferramenta mais conhecida e não a única. Só que aqui no Brasil, ela parece ser a única e, os problemas gerados pelos juros altos parecem difusos e, por este motivo confundem até mesmo pessoas com muita inteligência política e econômica.
Veja o porquê:
Os juros altos no Brasil estão atraindo investidores estrangeiros para negócios no mercado financeiros, o que vem gerando uma entrada de capitais para bolsa de valores extraordinária e, consequentemente gerando uma forte valorização cambial. Os altos investimentos em bolsas vêm elevando os índices, mas gerando uma valorização cambial muito veloz.
Tal fato favorece as compras externas e permite considerarmos que este comportamento de baixa do câmbio funcione como uma âncora da inflação. Câmbio valorizado pode ajudar a reduzir a inflação. Mas há efeitos colaterais desta política de juros altos para controle da inflação. Veja o porquê: Os juros altos estão comprometendo maiores investimentos e maiores níveis de consumo de brasileiros, justamente em um momento em que a economia mantém 12 milhões de desempregados e queda de, aproximadamente, 10% da renda em um só ano.
Com a valorização cambial as importações crescem e podem comprometer ainda mais nossos níveis de competitividade internacional, haja visto que as exportações brasileiras ficam mais caras.
Além do mais, os importados substituem produtos da indústria nacional que já foram prejudicadas e muito pela Covid-19 e, consequentemente, podem alimentar, ainda mais, os níveis de desempregos que já estão muito altos.
A dosagem da política monetária está errada. Há mais instrumentos de política monetária além das taxas de juros e, entendo que o Banco Central do Brasil não deve mais elevar os juros sob pena de arruinar ainda mais a já precária condição econômica da maioria dos brasileiros.
Será que o receituário monetário, elevando os juros constantemente, para controle da inflação, não está ultrapassado, e manter em nossa economia não irá empobrecer ainda mais?
Ouça o podcast completo com José Joaquim do Nascimento:
receituário