
Nesta quarta-feira (2), no programa CBN Vale 1ª Edição, o comentarista do quadro CBN Economia, José Joaquim Nascimento, falou sobre o círculo vicioso que o trabalho informal e a queda da renda causa para toda a Economia.
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O aumento da informalidade anunciada de 38% para 40% no final de 2021, e a queda na renda real, em torno de 11,1% é uma combinação desfavorável para o aumento do consumo e do bem-estar das famílias, revelando um círculo vicioso no ambiente econômico do País.
O Brasil tem 38 milhões de trabalhadores sem vínculo formal. Este fenômeno tem origem na dificuldade que os governos têm enfrentado para sair da recessão que se acentuou após o ano de 2014. Daí dizermos que a informalidade é reflexo da condição de permanente recessão que o país vive.
Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), os informais responderam por cerca de 50% dos empregos, ou seja, da ocupação na economia no ano de 2021. A taxa de desemprego caiu, mas esta informação por si só não diz muito sobre as reais possibilidades de recuperação segura da economia e nem revela, de forma direta, o lado ruim da informalidade para o país.
Do mesmo modo que a inflação, o aumento da informalidade e da queda na renda real, corroem o bem-estar das famílias porque a capacidade de consumo de bens diversos é prejudicada. A queda da renda e a informalidade tem relação direta. E é por isto que a informalidade é mais cruel para esta categoria de trabalhadores porque ganham menos, na sua maioria, do que para os trabalhadores formais.
Maior informalidade e perda da renda real podem explicar diversas questões da nossa economia. Questões como a queda do índice de confiança da indústria (ICI) que atingiu 98,4 pontos em janeiro, sendo a sexta queda consecutiva. Questões como queda dos níveis de produtividade do país, assim como queda dos níveis de consumo e, consequentemente, da produção de bens e serviços.
A informalidade atrasa o desenvolvimento econômico do País, resultando em questões como menor carga de tributos para o Estado ou ainda, maior sonegação de tributos, assim como maior evasão de boa parte do PIB (Produto Interno Bruto). A economia como um todo perde.
Os trabalhadores informais se distanciam do crédito no mercado financeiro, tornando os empréstimos ou os financiamentos de bens semiduráveis mais difíceis, o que prejudica os níveis de demanda das indústrias desses segmentos.
Estes dois aspectos combinados escondem os níveis de perdas do bem-estar entre os trabalhadores formais que passam a ser privilegiados, se comparados àqueles que têm emprego informal e, consequentemente, o prejuízo para toda a economia que há muito tempo teima em não melhorar.