Psicóloga da Santa Casa de São José explica a Síndrome de Burnout, doença reconhecida pela OMS

Psicóloga da santa casa de são josé explica a síndrome de burnout
(Foto: Reprodução)

Neste mês de janeiro uma nova doença passou a ser reconhecida pela Organização Mundial de Saúde (OMS), é a Síndrome de Burnout, tratada como um fenômeno relacionado ao trabalho.

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A doença passou a figurar na Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde, com o código (CID-11).

Para entendermos melhor sobre essa doença, a Rádio CBN Vale entrevistou nesta quinta-feira (27) a Drª Carmela Silveira, psicóloga da Santa Casa de São José dos Campos, que falou sobre as características dessa síndrome.

Segundo a profissional, a doença é caracterizada por um desgaste emocional, ou até mesmo uma exaustão física. Isso está muito ligado aos trabalhadores, como os que atuam na área da saúde e os que executam trabalhos com atividades repetitivas.

A especialista diz que essa síndrome costuma apresentar alguns sinais iniciais, como sensação constante de negatividade, cansaço físico e mental, falta de motivação, dificuldade de concentração, falta de energia física e  psíquica, sentimento de incompetência deixando de lado atividades que a pessoa acredita que não mais lhe compete, ou seja, uma paralisação do indivíduo.

A síndrome de Burnout faz também com que a pessoa deixe de gostar das mesmas. No trabalho, por exemplo, ao fazer aquilo que ela já está acostumada, passa a perceber que essa atividade não lhe cabe mais internamente.

A pessoa sente às vezes a necessidade de experimentar as atividades dos outros e não mais do próprio trabalho. Geralmente passa a ter oscilações de humor e começa a se isolar.

A Drª Carmela orienta que ao presenciar pessoas que podem estar apresentando alguns desses sintomas, é importante conversar com elas, com muita atenção e delicadeza, e sugerir a procura de um psicólogo como forma de ajuda, já que esse tipo de síndrome, se tratada desde o começo, é muito mais simples de se resolver.

Prevenção e tratamento

Psicólogos e psiquiatras são os profissionais que tratam da síndrome de Burnout, mas quem segue no tratamento semanal da doença é o próprio psicólogo.

Trata-se de uma mudança comportamental que precisa ser diagnosticada e trabalhada de forma psicológica, para que o próprio indivíduo se observe e no movimento de alteração comportamental e volte ao equilíbrio emocional, evitando chegar ao nível de depressão.

É preciso também perceber a importância de cuidar da saúde mental e do autocuidado, observando as coisas que acontecem no mundo externo como ler um bom livro, estar corretamente medicado, respirar, estar em contato com você mesmo, escrever, ler um poema e discutir com alguém essas situações.

Outra dica que a psicóloga gosta de indicar, é reler um livro dos tempos de infância. Ela costuma dizer que isso é trabalhar a criança interior, e buscar sensações prazerosas já vividas no momento atual. Essas técnicas pode ser  úteis para que a pessoa fortaleça o seu estado emocional e não adoeça.

Qual o caminho para quem precisar de um psicólogo?

A porta de entrada para o tratamento é SUS (Sistema Único de Saúde). É preciso primeiro agendar uma consulta UBSs ( Unidades Básicas de Saúde) e daí, conseguir um encaminhamento ao profissional especializado.

A Drª Carmela também indica outras sugestões importantes como ouvir música e sentir gratidão, que unidas, aumentam a imunidade corporal.

Ouça a reportagem de Marcelo Rocha: